terça-feira, 18 de setembro de 2012


Como você tem construído seus planos?

Repense o seu modo de ver a vida
Em nossa vida fazemos planos, estabelemos metas e, com isso, visualizamos situações que “podem vir a ser”, que “podem ocorrer”, e nos colocamos numa posição de expectativa e investimento de energia, trabalho e emoção. As expectativas de vida podem, em algum momento, concretizar-se ou não.
O acúmulo de expectativas e situações não resolvidas, bem como problemas cotidianos, profissionais e pessoais podem nos levar ao famoso estresse, que não vem apenas por aquilo que está externo a nós e visível, como problemas, pessoas, falta de dinheiro, desemprego, etc., mas especialmente ao que chamamos de fatores internos, e um em especial: a maneira como interpretamos a vida e seus acontecimentos, as pessoas com as quais convivemos, as situações pelas quais passamos.

Geramos ou pioramos um estado de estresse pela forma como encaramos a vida. Quer um exemplo bem simples de como isso acontece? Por um descuido, você bate seu carro. Não é nada grave, não houve vítimas. Qual a solução mais prática? Buscar um funileiro, avaliar os danos, fazer o orçamento, as formas de pagamento, se você pode ou não pagar agora e decidir por fazer o conserto. Isso é prático, racional e direto (mesmo sabendo que haverá um gasto e que você não poderá pagá-lo agora).
Porém, um modo que gera grande desgaste é olhar para a mesma situação cobrando-se: “Eu fiz tudo errado! Como pude bater este carro! Eu não me perdoo, sou mesmo um idiota”. Todos esses pensamentos estressantes e autopunitivos trouxeram alguma solução? Certamente não. Percebe agora como nossos pensamentos e crenças pessoais podem influenciar nossa reação diante de um acontecimento?

A forma como interpretamos as situações e o modo como nossos pensamentos se desenrolam desencadeiam, portanto, a produção do famoso estresse. Crença é aquilo que dá significado à nossa vida. Se eu creio em Deus, meus atos tendem a ser pautados por essa crença. Por outro lado, se creio que tudo será péssimo, que não sou capaz, que nada dá certo comigo ou que nunca minhas expectativas darão certo, temos aí um bom caminho para atitudes desfavoráveis e um amontoado de novos pensamentos negativos e um belo caminho para o adoecimento e para um círculo contínuo e vicioso de estresse.

Muitas vezes, quando estamos nesse estado, achamos mil desculpas para justificá-lo: "Estou estressado porque meu carro quebrou". Ou: "Porque meu time perdeu", assim como: "Porque meu namoro acabou", porque ... porque... porque... sempre baseados em fatos externos. 

Você já parou para pensar qual é a sua parcela de responsabilidade diante do que não deu certo? Será que não é devido à sua forma de ver o mundo que o estresse acontece e com ele todas as consequências físicas e emocionais em sua vida?

Faço este convite a você: pare e observe como você encara o mundo ao seu redor. Este pode ser um primeiro passo para não ser refém da vida e dar um novo significado à sua história.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A quem você quer servir?
Agora é o momento da escolha, da opção. Diga comigo: "É o momento da minha escolha entre um lado e outro. Dá-me, Maria, a graça de optar bem".

Deus, por intermédio de Moisés, preparou Josué. Este era jovem e já estava na condução do povo de Deus. Moisés disse a ele: "Foi Deus quem te escolheu, Josué". Diga comigo: "Foi Deus quem me escolheu. Eu tenho um povo para o qual Deus já me escolheu. Não sou um qualquer. É a minha missão". Josué atravessou o Rio Jordão miraculosamente e quando chegou do lado de lá, viu que a terra estava toda habitada, tinha donos, tinha reis. Deus mostrou-lhe que vida de escravidão produz vícios, pecados, erros e dependência. Foram 400 anos de escravidão do povo hebreu, que vivia a idolatria e os costumes dos povos escravizadores. Tudo aquilo tinha de mudar. O Senhor tinha de obter deles uma escolha. Movido por Deus, Josué é muito franco com eles exortando-os: "Escolhei hoje a quem quereis servir".

Hoje, eu também preciso dizer a você: "A quem você quer servir? Qual é a sua escolha, qual a sua opção?" O Senhor está dizendo que tudo precisa mudar, porque você é um escolhido, um eleito.

Josué disse: "Quanto a mim, eu e minha casa serviremos ao Senhor". O líder estava resolvido. Eu dou o testemunho de minha opção, como Josué fez, pois o importante para Deus e para o povo, para o qual você é chamado, é a sua opção. Responda do fundo do seu coração. Graças a Deus, aquele povo respondeu com firmeza: "Longe de nós abandonarmos o Senhor". Atrás daqueles ídolos e imagens de ídolos se escondiam o demônio. As coisas que os pagãos sacrificam aos ídolos, na verdade, eles sacrificam-nas aos demônios. E São Paulo diz: "Eu não posso permitir que vocês tenham comunhão com o demônio". Sabe por que, meus irmãos? Esses ídolos são produtores de pecados, de vícios. E como Jesus disse: "Vós não podeis servir a dois senhores". "Eu sou o único", diz o Senhor. Irmãos, como sempre afirmo, não há "coluna do meio".

Infelizmente, muitos estão servindo a outro senhor, que é um produtor em alta escala de pecados na área da sexualidade, gerando corrupção, contestação quanto aos valores cristãos e contra os pais, insatisfação, falta de sentido para a vida, e tudo isso gera muita revolta em nosso interior. Tudo isso é subproduto do maligno e a mídia mostra, incentiva e aplaude tudo isso. Eles estão fazendo tudo isso, não para servir a Deus, mas para servir ao demônio.

Deus não quer que nós tenhamos comunhão com os demônios! Se você vive mal seu namoro, seu casamento, seu trabalho, se vive o orgulho, o adultério, a corrupção, a hipocrisia... Pecado é pecado! E não dá para medi-lo, assim como nós não brincamos com nódulos, que podem ou não ser cancerígenos, não podemos brincar com o pecado e manter comunhão com ele; mesmo que este pareça insignificante. Como disse: pecado é pecado!

domingo, 16 de setembro de 2012


Brasa enxuta

fogo
Em nossas liturgias solenes fazemos uso do incenso. É a expressão de nossa adoração, de nossas preces subindo até Deus. Para incensar colocamos no turíbulo brasas acesas sobre as quais depositamos o incenso. Neste instante sai do turíbulo uma fumaça perfumada. O sucesso da incensação depende da qualidade das brasas. Se as brasas não tiverem nenhuma umidade, se forem brasas enxutas, a fumaça provocada pelo incenso é mais abundante, mais forte, mais duradoura e ultrapassa o seu próprio ambiente. Caso contrário, se houver nas brasas alguma umidade, a fumaça é mais fraca, não se espalha muito e fica restrita ao seu ambiente. Nossa vida de comunidade pode ser comparada a um turíbulo com brasas acesas. Essas brasas são a nossa vida comum, a fraternidade, a partilha, a misericórdia, o perdão e a hospitalidade nas diferenças. Para manter estas brasas acesas e sem umidade devemos abanar constantemente o turíbulo de nossa vida comunitária na direção do Absoluto, do seguimento discipular de Jesus. E Ele, ao mesmo tempo, nos envia para perceber os sinais dos tempos e as potencilialidades de nossos irmãos. É a espiritualidade envolvendo toda a nossa vida sempre assoprada e abanada pelo Espírito de Deus. Não basta que o turíbulo de nossa vida comunitária tenha as brasas dos exercícios comunitários: orações, celebrações, retiros, etc. É necessário que a brasa não tenha a umidade da rotina, do peso das coisas marcadas, do fazer para ficar livre. Quando isto acontece, o turíbulo de nossa vida comunitária não reage bem ao receber o incenso das nossas orações comunitárias, da celebração eucarística, do retiro mensal, etc. A fumaça, quer dizer o resultado destes momentos. Fica restrito à presença física, que nem sempre expressa a motivação, o encantamento e a paixão pelo seguimento missionário de Jesus. São Paulo na sua 1ª Carta aos Coríntios lembra àquela comunidade a existência de algumas umidades que estavam diminuindo a força das brasas dos dons, da vida familiar e da Ceia do Senhor. O apóstolo se refere às umidades da competição, da desigualdade, da exclusão e de costumes pagãos. Paulo nos diz que quando a Ceia do Senhor é celebrada sobre a umidade da competição, da exclusão, da frieza no relacionamento, da falta de ternura e de perdão e sobre a incapacidade de hospedar as diferenças dentro de nós, ela deixa de ser a mesa da partilha, deixa de ser fonte de crescimento comunitário. Deixa de ser ceia do Senhor (cf. 1Cor 11,20). Não faz mais a diferença da situação dominante. Esta celebração fica restrita ao local onde ela aconteceu. Não tem influência fora. Perde o seu sentido. Paulo diz que a Ceia do Senhor, como também todas as atividades comunitárias, não podem ser coniventes com estas umidades (cf. 1Cor 11,21-22). Diante de tudo isto fica para nós algumas perguntas: – Como estão as brasas de nossa vida comunitária? – Qual a reação dela diante do incenso das orações comunitárias, da celebração da eucaristia, dos retiros e reuniões? – É uma reação que vai além do momento celebrativo? – É uma reação de gente apaixonada pelo que faz? – Nossas atividades comunitárias são brasas enxutas dentro do turíbulo da vida comunitária? – Como estão as abanadas de nosso turíbulo da vida comunitária?

sábado, 15 de setembro de 2012


Por que quero ser livre? Do que me vale a liberdade?



“Longe de casa a mais de uma semana milhas e milhas distante”.
Caramba, sempre quis ficar fora de casa curtir uns dias sem ninguém me olhando, dizendo que eu tinha que acordar arrumar minha cama, cuidar dos cachorros, lavar meu tênis “surrado” sair e comprar os pães do café da manhã!
Como é bom sentir que a vida está em suas mãos para ser vivida e não tem ninguém por perto para ser juiz de seus atos.
Mas será que ser livre é só isso?
Porque as vezes mesmo longe das pessoas e de tudo ainda não me sinto livre? Onde está minha liberdade?
Mas todo mundo quer ser livre isso tenho certeza
Fiz a seguinte pergunta:
Porque ser livre?
Algumas pessoas responderam:
“Huummm… Acho que eu queria ser livre para não ter que dar satisfações para ninguém, ou explicar o que eu estou fazendo.
É bastante interessante querer e realmente poder.”
“…eu quero me libetar das coisas ruins que acontece no mundo dizendo simplismente, eu quero e fugir para ser livre!”
“Quero ser livre para poder sorrir qnd eu quiser, para poder chorar qnd eu quiser, sem ter alguém do meu lado que insista para fingir meu sentimentos para que a outra pessoa não se sinta magoada.”
“…para fazer tudo q tiver ao mau alcance sem restrições, e muito menos culpa”.
“Eu queria ser livre da MATEMATICA não é justo eu ser dependente dela se eu tento entende-la ela me menospreza se eu a ignoro ela me derrota, ISSO NÃO Vale!!!!!!!!!!”
Poxa, com estas respostas chego a uma conclusão:
Não nos sentimos livres porque queremos uma liberdade baseada em pessoas, situações e fatos. Mas a liberdade está na Pessoa.
Na Pessoa de Jesus, que diz: “ Conhecereis a verdade e ela vos libertará.
Tenho que me conhecer… quem sou eu… Assim me torno livre.
A maior prisão é a cela interior que me prende a mim mesmo. Medo de errar já é erro em si pois não nos resumimos a um saco de moléculas que funciona direitinho.
Longe de casa… mas dentro de si mesmo! Livre em si e bem perto de Deus!
A liberdade que Deus nos dá em Cristo é que nos capacita a identificarmos nossas falhas – e ultrapassá-las com a ajuda Daquele que nos criou para muito mais além do que pensamos!
“A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar.”

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


“O sal no cocho”


Um criador de gado ou um tirador de leite faz tudo para que seu gado esteja sempre bem tratado e nutrido. Ele sabe que além de um bom pasto, o gado precisa de sal mineral. O sal é colocado no cocho, num lugar estratégico do pasto. Normalmente tem uma cobertura para evitar que o sal se derreta com a chuva.
Quando o retireiro coloca o sal no cocho, ele  não precisa tocar as criações para lá. O gado, com seu faro, sente a presença do sal e caminha para o cocho. É a atração do sal. As criações não o comem de bocada. Elas o lambem devagar. Depois de saborear o sal ficam em Volta do cocho por uns instantes…  vão em direção DA água. Depois deitam e ruminam.
Os componentes nutritivos do sal fazem o gado ficar mais sadio, mais resistente, seu pêlo se assenta e não se arrepia. O sal mineral dá resistência contra OS parasitas. Com o seu uso, o gado FICA menos arisco, mais agrupado. O sal mineral não pode faltar no cocho. Sem ele, o gado perde  resistência,  perde peso, e se torna mais agressivo. E ainda, não se pode substituir o sal mineral pelo sal de cozinha. Deve-se colocar o sal apropriado.
A Vida Religiosa tem como base a vida comunitária, por isso, ela tem  muito a ver com o sal mineral no cocho. O cocho reúne o gado, a vida comunitária reúne OS irmãos. Assim, não basta apenas ter o “cocho” DA vida comunitária de forma institucional, canônica. Tudo isto é uma necessidade que deve estar a serviço DA vida . Só as normas não preenchem o sentido de uma vida em grupo. Quando isto acontece o “cocho” DA vida comunitária pode ficar vazio. Deixa de exercer sua atração. Os membros de uma comunidade religiosa, quando se reúnem no  “cocho” DA vida comunitária apenas pela força de um regulamento, não se sentem bem em Volta dele. A vida comunitária torna-se um peso difícil de suportar.
A ESPIRITUALIDADE  é o “sal mineral” que dá sentido ao “cocho” DA vida  comunitária. O seguimento de Jesus Cristo, explicitado na vivência do carisma DA Congregação, faz com que OS membros DA comunidade religiosa sejam tocados por Deus. Passam a agir por uma forte mística pela qual, as normas e regulamentos são vistos como mediações para nos conduzir ao Absoluto de Deus.
No “cocho” DA vida comunitária, não pode faltar a espiritualidade. Ela é que, de fato, congrega, atrai e alimenta OS membros para um mesmo ideal. Ela desperta encantamento e fascinação. Os  melindres, preconceitos e desconfianças (= arrepios), vão desaparecendo e a fraternidade encontra seu espaço. A vida comunitária deixa de ser um peso, vira alegria. Aí, pode-se cantar como o salmista: “Vejam como é bom, como é agradável OS irmãos viverem unidos.” (Sl 133,1). O sal DA espiritualidade faz também crescer, cada vez mais, a nossa sede de Deus (Cf. Sl 42,3).
Este “cocho” DA vida comunitária, animado pelo sal DA espiritualidade, deve ter a cobertura contra as “chuvas” do ativismo, do barulho, do consumismo e outros “ismos” que podem ir derretendo este sal DA espiritualidade. Sem o sal verdadeiro de uma profunda espiritualidade, a vida comunitária perde o sentido e a credibilidade. Deixa de ser sinal e testemunho do Reino de Deus.
A  Espiritualidade não pode ser reduzida a momentos de oração. Ela deve ser cultivada nestes momentos comunitários fortes. Mas vai muito além deles. Trata-se de um mergulho no mistério de Deus através do silêncio contemplativo. Quando este “cocho” DA vida comunitária FICA vazio, a vida religiosa também FICA vazia, perde o sentido, perde sua força de atração, e o que é pior, seus membros começam a se estranhar. Os “bernes” começam a latejar, e vai-se perdendo a sede de Deus. E pode-se passar a ter sede de outras coisas.
A intimidade com a Palavra de Deus nos coloca na convivência com a caminhada mística de diversos personagens bíblicos. O primeiro deles é Abraão, símbolo vivo de nossa caminhada rumo a Deus. Ele  faz a sua experiência de Deus, levando consigo seus problemas e esperanças, sua coragem e indecisões, sua sabedoria de vida e sua forte disponibilidade. A experiência de Deus feita por Abraão tem componentes básicos que não podem faltar no sal DA nossa espiritualidade: Saída = risco (cf. Gn 12,1-9). Promessa = bênção (cf. Gn 13,14-18). Terra = residir nela como estrangeiro; culto na tenda = Hospitalidade (cf. Gn17, 3-8). A presença de Deus é descoberta no convívio de uma refeição debaixo do carvalho (cf. Gn 18, 1-10). Perder o sentido do acolhimento é perder o sentido do outro e de Deus. Fogueira = entrega  total (cf. Gn 22,1-19).
O sal DA espiritualidade em nosso “cocho” DA vida comunitária tem os ingredientes da espiritualidade de Abraão?  Que “Deus possa nos ocultar na sua cabana e esconder-nos no segredo de sua tenda” (Sl 27,5), para que possamos revigorar o sal da espiritualidade dos “cochos” de nossas vidas comunitárias.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Razões para ser padre


 Na sociedade atual, hedonista e secularizada, a figura do Padre é objeto de muita discussão, inclusive através da mídia. Freqüentemente, pessoas que pouco entendem do assunto, se permitem a audácia, talvez até com boa intenção, de dar sugestões sobre como deveria ser o sacerdócio católico. O Presbítero, habitualmente chamado pelo povo de Padre, possui o segundo grau do Sacramento da Ordem. Portanto, é Sacerdote, assim como o Bispo, que tem a plenitude deste Sacramento. Nesta reflexão, vamos considerar algumas razões para ser Padre, isto é, participante do Sacerdócio de Jesus Cristo, hoje e sempre. Primeiramente, é preciso compreender que o Padre foi chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Quando da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos – a Igreja Católica Apostólica Romana. O Padre é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura, são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre – as coisas do Pai. Isto não impede que seja uma pessoa politizada e comprometida com a realidade que o cerca. Não se trata de fazer política partidária, que não compete ao ministro ordenado, mas da orientação ao seu rebanho para a prática da cidadania e um posicionamento segundo a moral cristã, sempre tendo em vista o bem comum. Apesar do secularismo, a que já aludimos, o homem hodierno busca, sequiosamente, o rosto de Cristo. Por isso, o Padre é chamado a ser re+presentante do próprio Senhor: ele O torna novamente presente. E quanto mais transparente e mais perfeita for essa presença, melhor responderá às indagações dos que a procuram. Nosso pranteado Papa João Paulo II nos exortava a contemplar o rosto de Cristo, para revelá-lo aos outros. Chegou a dizer que os Padres são o “Coração de Jesus” – expressão forte, que significa o amor de Jesus, divino e humano, que o Padre deve transparecer, através da missão que exerce. O povo quer ver, tocar, perceber, ouvir o Cristo na pessoa do Padre. Por isso, a palavra do Padre não é dele mesmo, mas é a Palavra de Deus. O toque sacramental do Padre não é um toque meramente humano, mas ultrapassa esta dimensão e penetra no divino, do qual o sacerdócio é, de fato, mediação. Esta configuração ao Cristo tem profundas raízes teológicas, que atestam a exclusividade do sacerdócio para os varões, como participação no único e eterno sacerdócio do próprio Cristo. Jesus não escolheu nem sua própria Mãe Santíssima, para compor o grupo daqueles que seriam a base apostólica da sua Igreja. Mas não é nosso propósito discutir este assunto, no presente texto. Apenas confirmamos a posição da Igreja, em nome de quem o Papa João Paulo II falou, quando expôs, claramente, seu ensinamento a este respeito. Ainda segundo o saudoso Papa, na sua Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis – “Dar-vos-ei Pastores segundo o meu Coração” (Jr 3,15), de 25 de março de 1992, o Padre tem que possuir 5 qualidades essenciais: 1° Ser homem, física e psicologicamente, sadio. 2° Ser pessoa de oração, portanto piedoso. Pietas, em latim, significa um devotamento filial aos pais. O Padre deve ter um afeto filial, carinhoso para com Deus, nosso Pai, e é a partir desse modelo, que ele vai buscar a delicadeza paterna, e materna, que demonstrará na sua experiência humana de diálogo com o mundo de hoje, homens e mulheres do nosso tempo. 3° Ser uma pessoa culta. A formação intelectual de um Padre exige um mínimo de 7 anos de estudos universitários, incluindo as Faculdades de Filosofia e de Teologia, além da comprovada competência pastoral. 4° Ser um verdadeiro pastor. Deve conhecer os problemas que se abatem sobre a humanidade, para dar a resposta pastoral necessária, dentro de uma visão eclesial coerente. 5° Ser um elemento de equipe, que saiba viver em comunidade e para a comunidade. Que nunca trabalhe só, a não ser nas coisas do trato direto com Deus. Tudo o mais seja feito em conjunto com a comunidade a que ele serve. Isto exige afabilidade, equilíbrio e capacidade de diálogo. Como seguidores de Cristo, os Apóstolos tiveram que deixar tudo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37). Trata-se da doação integral da pessoa e da sua capacidade de amar, para que Cristo dela disponha em favor dos mais necessitados: os pobres, os pecadores, os que sofrem de múltiplas carências, os que nos procuram para aconselhamento. Para estar disponível a tudo isto, permanentemente, é preciso ter um amor exclusivo. São Paulo diz, claramente: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa” (1Cor 7,32-33). Portanto, tem um coração dividido. O Padre não pode viver assim. O seu amor, as suas energias, a sua competência, tudo deve estar a serviço das ovelhas do seu rebanho. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, introduziu o celibato, seguindo a exigência que Jesus fez aos Apóstolos sobre deixar tudo. Apesar do que afirmam as críticas apressadas a esta norma antiqüíssima, o celibato sacerdotal não é a causa de eventuais problemas afetivos. O Pontifício Conselho para a Família tem afirmado, muitas vezes, que se encontram na família os maiores problemas da atualidade, sob qualquer ponto de vista: pastoral, social, cultural. Não adianta querer resolver uma suposta carência afetiva na vida do Padre, apelando para o Matrimônio, como se fosse a solução mágica. Na vida a dois também há solidões. E muitas. Talvez, até, mais dolorosas do que no celibato. Os psicólogos estão aí para comprová-lo. A doação integral do amor faz parte da condição existencial do Padre. Sendo uma vocação, é a única capaz de realizá-lo como pessoa. Quem não for capaz disto, por um compromisso total, irrestrito e perpétuo, não é chamado para o sacerdócio, segundo a vivência da Igreja Latina, Ocidental. Rezemos para que Deus nos dê sempre bons e santos Padres, segundo o seu Coração: “A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores, e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade” (Pastores Dabo Vobis, n°82).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


O mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam…

O mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam…
 
Em tempos de grandes transformações, o mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam: 
Homens e Mulheres do seu tempo, plenamente humanos/as, que se sentem filhos e filhas amados/as por Deus, chamados/as, enviados/as a serem expressão do Amor de Deus na humanidade.
Homens e Mulheres apaixonados/as por Jesus Cristo e pela humanidade, capazes de entregar suas vidas, de forma generosa e gratuita, em prol da concretização do Reino.
Homens e Mulheres que testemunham, pela sua própria vida, que é possível amar plenamente as pessoas e viver de forma livre, frente aos bens e à própria Vida.
Homens e Mulheres que buscam, acima de tudo, viver uma espiritualidade encarnada e itinerante, que os tornam sensíveis diante dos apelos de Deus, que se revelam nos sinais dos tempos e no cotidiano da vida.
Homens e Mulheres criativos/as, corajosos/as, capazes de ultrapassar fronteiras culturais, étnicas e geográficas, para anunciar o Evangelho da Vida e da Esperança.
Homens e Mulheres do povo, capazes de em tudo amar e servir. Comprometidos/as com a construção de uma sociedade fundada em novas relações políticas, econômicas e sociais.
Homens e Mulheres que marcam presença profético-solidária, num mundo em constante transformação sócio-cultural. Homens e mulheres que revelam o rosto de um Deus que continua vendo e ouvindo os gritos dos empobrecidos e excluídos do nosso tempo. De um Deus que continua descendo para libertar, resgatar e promover a vida de seu povo, através da missão de cada consagrado e consagrada.
Homens e Mulheres que ao encontrar-se com Ressuscitado nos “Caminhos de Emaus” deixam-se abrasar pelo seu amor e ousam voltar para as tantas “Jerusalém” dos nossos dias e, ali anunciam que vale a pena viver segundo o Projeto de Jesus.
Homens e Mulheres capazes de romper com as seguranças e as estruturas que limitam a fidelidade criativa do Carisma e a vivência de uma VRC refundada, criativa, solidária, profética e sinal da presença do Reino de Deus, no atual momento da história.
Homens e Mulheres capazes de alargar o espaço da “tenda” da VRC, para acolher a diversidade de cores, culturas, gerações e carismas e unir forças diante dos novos apelos e desafios da missão.
Homens e Mulheres capazes de adentrar corajosamente nos espaços em transformação, sendo presença de uma Vida Religiosa humanizadora, dedicada ao cuidado da vida humana e do cosmo.

PARABÉNS pela coragem e ousadia de sonhar e buscar viver com autenticidade essa proposta de Vida Consagrada.
PARABÉNS por ser LUZ e presença amorosa, terna e misericordiosa do Deus da Vida, no meio do Povo.