quinta-feira, 7 de junho de 2012

Vocação: Identidade de Vida


O vocacionado põe vida no que faz e se identifica com sua ação

Na história concreta de existência das pessoas, um dado fundamental que as identifica é o seu estado natural de vida, a escolha que cada uma faz e assume na expectativa da felicidade. Dizemos e chamamos a isso de vocação ou realização pessoal.

Nem sempre podemos dizer que uma profissão seja propriamente uma vocação. Muitas pessoas realizam aquilo que não coincide com o que gostariam de fazer. Seria uma vocação errada ou falta de oportunidade para exercer realmente o que gostariam?
Na verdade, fazemos bem alguma coisa quando temos vocação para tal. Vocação tem a ver com a intensidade com que fazemos algo e a felicidade que daí podemos conseguir. Portanto, a medida da vocação está na amplitude da felicidade vivenciada.

O termo “vocação” vem da palavra latina “vocare”, que quer dizer chamar. No contexto cristão dizemos que o vocacionado é uma pessoa que sentiu em si a vontade de Deus. É uma inclinação interna, que supõe um seguimento, uma resposta concreta de ação e vida.
Não é difícil ver quem realmente é vocacionado. As suas ações são fecundas e benéficas para os outros. Ele põe vida no que faz e se identifica com sua ação. Caminha firme, sem medo e sem vacilar, porque está seguro da própria identidade e missão.

No mês de agosto destacamos alguns tipos de vocações, todas elas identificadas com algum trabalho dedicado ao povo. Falamos da vocação sacerdotal, vocação dos pais, dos religiosos e religiosas, dos leigos e leigas cristãos, entre eles, os catequistas.

São muitos os vocacionados na sociedade, cada um dentro de seus objetivos de vida concreta e com oportunidade de fazer o bem na construção de um mundo melhor e mais saudável para todos. Importa colocar essas qualidades naturais para render e dar frutos.

Essa identidade de vida deve ser descoberta por cada pessoa. Além da descoberta, é uma escolha que supõe muita atenção, principalmente na adolescência e juventude. Havendo um erro, ele pode ser prejudicial e trazer consequências indesejáveis, prejudicando e dificultando um futuro feliz.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

“A vocação ao amor é a vocação ao doar a si próprio, e isso nenhuma condição orgânica pode impedir. Portanto, onde a ciência não encontra resposta, a resposta que ilumina vem de Cristo”,  Bento XVI.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A vocação do diaconato permanente


Esse chamado passa pelo discernimento da Igreja

O diácono permanente é uma vocação da Igreja para o serviço da comunhão, para o serviço dos irmãos. Neste texto gostaria de falar sobre essa vocação, porque é uma novidade na própria Igreja, e em muitas dioceses ainda não está implantada.
No site da Comissão Nacional dos Diáconos Permanentes: www.cnd.org.br, o padre Walter Goedert apresenta uma definição e comentários muito interessantes sobre a vocação, destaco o que ele escreve:
"Dado que o diácono permanente é simultaneamente pai e esposo, exerce uma profissão civil e se consagra à comunidade eclesial pelo sacramento da Ordem, sua vocação abrange vários aspectos. Na verdade, são três grandes dimensões: familiar, profissional e eclesial. Embora com desafios próprios, estas não deixam de contribuir positivamente para a realização da vocação diaconal.
Administrar esses desafios e colocá-los a serviço da missão constitui tarefa diária. É preciso maturidade para atribuir a cada função o peso certo no momento exato. A harmonização dos possíveis conflitos exige uma escala de valores ditada pela vivência dos sacramentos do Matrimônio e da Ordem, e pela responsabilidade profissional. Não se trata de privilegiar uma das dimensões em detrimento das outras; é preciso, mesmo dando prioridade momentânea a uma delas, buscar o equilíbrio. Sem essa harmonia não existe plena realização vocacional.
Uma vez que a vocação inclui aspectos sobrenaturais (é Deus quem chama e espera resposta), é necessário aplicar à vocação diaconal as características bíblicas do chamado. Vocação é antes de tudo, dom de Deus: "Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações" (Jr 1,4-5). É também dom para a Igreja. Um bem para o vocacionado e para sua missão. Como dom, deve ser acolhido dentro das circunstâncias de tempo e de ambiente. Na avaliação da autenticidade de uma vocação devem ser levadas em consideração as aptidões objetivas do candidato, a livre determinação da vontade e a confirmação do chamado pela Igreja. Esse processo deve ser feito em estreita união com a família do candidato [ao diaconato], com a comunidade eclesial e com os responsáveis diretos pela formação diaconal.
A Sagrada Escritura revela, ainda, que o chamado acontece em vista de uma missão especifica. É convite pessoal que espera adesão consciente de fé e de vida, incluindo uma consagração particular a Deus em forma de serviço ao povo. Toda vocação constitui um serviço; o chamado ao diaconato o é de forma especial por ser o diácono sinal sacramental de Cristo-Servo.
O serviço, comum a todos os cristãos, o diácono o assume como função própria, da qual dá testemunho personalizado. Abraça a diaconia com toda a intensidade de sua vida, como algo que lhe diz particularmente respeito. João Paulo II afirma: "O diaconato empenha ao seguimento de Jesus, nesta atitude de serviço humilde que não só se exprime nas obras de caridade, mas investe e forja o modo de pensar e de agir" (L'Osservatore Romano, ed. portuguesa, n. 43 (24/10/93), p 12). Por isso, Puebla afirmou que a missão e a função do diácono não devem ser avaliados com critérios meramente pragmáticos, por estas ou aquelas funções [...]. O carisma do diácono é ser sinal sacramental de Cristo-Servo (P 697-698).
Embora a vocação surja de um chamado de Deus, Ele o faz, normalmente, por meio de caminhos ligados à realidade em que vivemos. O chamado é acolhido por homens concretos, cada qual com sua história, limitações e qualidades. Por conseguinte, o discernimento vocacional deve levar em consideração não só critérios objetivos, mas também requisitos pessoais, espirituais, familiares e comunitários ('Diretrizes para o diaconato permanente', 135-139). Devem ser considerados desde as tendências instintivas e os desejos íntimos até o modo de ser de cada um, seu ambiente, sua história."
A vocação, portanto, passa pelo discernimento da Igreja, que, como mãe, acolhe aqueles homens dispostos a dedicar a vida ao serviço da Igreja, ao povo de Deus.
Sou diácono permanente desde o dia 5 de julho de 2008, portanto, há dois anos tenho a graça de servir a Igreja na minha pobreza, com a certeza de que o Deus, que me chamou pessoalmente a este serviço, me ajuda a cada dia com o auxílio de Sua Graça, o apoio de muitos amigos e de minha comunidade e a compreensão de minha esposa e de minhas duas filhas.
Se você sente este impulso de "ser menos" para servir melhor a Igreja, o caminho é buscar o seu pároco e falar sobre isso, e se ele indicá-lo para essa função você deverá fazer a sua preparação na Escola Diaconal de sua diocese, caso ela tenha esta escola, pois em muitas dioceses ela ainda não foi implantada. E, assim, colocar a vida nas mãos de Deus, buscando a fidelidade nas orações, se dispondo a estar próximo ao altar como ministro extraordinário da sagrada comunhão, pregando a Palavra de Deus e sendo atuante na sua comunidade.
Deus abençoe a sua vocação.

domingo, 3 de junho de 2012

Suportai-vos uns aos outros no amor


“Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a levardes uma vida digna da vocação que recebestes: com toda humildade e mansidão, e com paciência, suportai-vos uns aos outros no amor.” (Ef 4,1-2)
Suportar o outro no amor. Ser um suporte, uma sustentação. E no amor, pois somente através do amor é verdadeiramente possível sustentar o próximo. Só assim teremos uma “vida digna da vocação” que recebemos por parte de Deus.
As palavras de São Paulo na Carta aos Efésios devem estar em nossa mente quando estivermos em dificuldade no relacionamento com qualquer um de nossos semelhantes. Se tivermos esse pequeno trecho em nossa cabeça, muitos problemas deixam de existir.
Você tem um chefe ranzinza? “Suportai-vos uns aos outros no amor.”
Dificuldades no matrimônio? “Suportai-vos uns aos outros no amor.”
Brigas com o vizinho? “Suportai-vos uns aos outros.”
Você pode estar pensando: “É verdade, devo ser suporte para o meu próximo. Mas a Palavra de Deus diz ‘uns aos outros’, então o meu próximo deve me auxiliar também. E se ele não faz nada e só dificulta as coisas?”
Então, tenha uma “vida digna da vocação que recebestes” do Pai e seja suporte para ele no amor de Deus. Faça sempre a sua parte.
Assim seremos “solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.” (Ef 4,3)

sábado, 2 de junho de 2012

Vocação: um chamado à santidade



“A vocação do cristão é a santidade, em todo momento da vida. Na primavera da juventude, na plenitude do verão da idade madura, e depois também no outono e no inverno da velhice, e por último, na hora da morte.” (Papa João Paulo II)
Muito nos questionamos a respeito do que seja realmente vocação. Por vezes pensamos ser a vocação apenas uma função, ser membro de uma Pastoral, estar encarregado disso ou daquilo ou ser isso ou aquilo no corpo místico de Cristo que é a Igreja. Quando nos enquadramos em um desses exemplos e não abrimos o coração e a mente ao entendimento da Palavra de Deus e os seus projetos para o homem, corremos o risco de não nos encontrarmos em nossa caminhada, e pior do que isso, não encontrarmos Cristo Jesus.
Quando o apóstolo Pedro nos escreve: “a exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações. “(I Pedro 1:15). E encontramos no livro do Levítico: “sede santos porque eu sou santo.” (Lev 11,44), Percebe-se então a resposta do que é esse chamado: vocação é ser santo.
Ser santo, a exemplo do que Pedro escreveu é ser imitador daquele que nos chamou: Jesus Cristo, Nosso Senhor. A santidade em Cristo é a videira que produz diversos frutos, trinta, sessenta e cem por um. Sem ela, as ações e as palavras se perdem ao vento e são como flechas lançadas ao nada.
A santidade não é algo distante de nós. Ela não é de forma alguma algo que exija grandes feitos e grandes dons como fazer um paralítico andar, ressuscitar um morto ou curar um doente. A santidade está ao alcance de todo aquele que despoja seu coração para Jesus e deixa o Espírito Santo trabalhar nele.
Quando permitimos que Cristo faça parte de nossa vida, de nossa história, do trabalho, do estudo, do namoro, amizade, de nossa família, do nossos atos, pensamentos, intenções e projetos, quando nos deixamos moldar pela vontade de Deus, nossa imagem acaba se assemelhando a de Jesus e nossas vidas à vida dele. Passamos então, a responder ao chamado de Deus e encontrar o sentido do ser vocacionado. O coração se prontifica a fazer parte do amor de Jesus, se torna grato por ele e quer vivê-lo, respirá-lo e anunciá-lo aos outros. Daí surge uma família vocacionada, uma pessoa que encontra nas práticas simples e nas obrigações do dia-a- dia a realização daquilo que pede o Evangelho.
De maneira especial, a vocação passa pela mãe Igreja. Guardiã e templo do Espírito Santo, este tem se manifestado de diversas maneiras, sobretudo nos últimos tempos, onde tem inflamado a Igreja de carismas. Dentro desses carismas vemos a maravilha das Novas Comunidades. Estas são um celeiro para vocações. Nelas Jesus convida a uma vivência mais profunda e constante do Evangelho, onde através do despojamento, inclusive dos bens materiais, podemos colocar em prática o amor, o perdão, a doação, o convívio fraterno e, principalmente, a missão de evangelizar.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Três casos de Vocação


 Parte 2: Desapegar-se


“A outro disse: Segue-me. Mas ele pediu: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai. Mas Jesus disse-lhe: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus. ” (Lc 9, 59-60)
Caros irmãos e irmãs, a paz e a alegria que vem do Pai estejam em seus corações!
Mês passado iniciei uma reflexão sobre o texto referente aos três casos de vocação que está no Evangelho de São Lucas (Lc 9, 57-61), naquele primeiro momento refleti sobre a necessidade de lançar-se se quiser ser um verdadeiro discípulo do Senhor.
No primeiro caso é o discípulo que se coloca primeiro dizendo ao Senhor que quer seguí-lo. No segundo, que é o do versículo citado no início deste texto, é o Senhor quem diz “Segue-me“. Prontamente o discípulo se mostra disposto a seguir ao Senhor, contudo parece que ainda há um empecilho: “permite-me ir primeiro enterrar meu pai.”.
Apesar do desejo de seguir o Senhor, muitas vezes não conseguimos Lhe dar uma resposta precisa. Queremos nos despedir dos nossos pais, deixá-los numa situação confortável, não queremos nos desvencilhar das nossas amizades, do nosso trabalho, da nossa segurança financeira, da nossa casa, do namoro… Quantos de nós já nos sentimos chamados pelo Senhor para seguí-Lo de um modo mais radical, mas não tivemos coragem de “deixar que os mortos enterrem seus mortos“?
Lendo estes versículos lembro-me muito de Nossa Senhora. Ela quando foi chamada pelo Senhor, na Anunciação, preocupou-se em entender apenas como tudo aquilo seria possível sendo ela virgem. Em nenhum momento ela preocupou-se em dar satisfação aos seus pais ou ao seu noivo, naquele momento Maria desapegou-se de qualquer vínculo afetivo, desapegou-se de suas seguranças, de seu bem estar. Ela desapegou-se das coisas deste mundo para apegar-se unicamente Àquele que realmente pode preencher a nossa vida, o nosso coração: Maria apegou-se ao Senhor, ao Amor!