quinta-feira, 31 de maio de 2012

Três casos de Vocação


Parte I: Lançar-se


“Enquanto estavam andando, alguém disse a Jesus no caminho: Eu te seguirei para onde quer que vás.” (Lc 9,57)
Amados irmãos e irmãs, que a alegria do Senhor Ressuscitado esteja em seus corações!
Gostaria de convidá-los no dia de hoje a meditarmos sobre um trecho do Evangelho de São Lucas bastante intrigante, que está  no capítulo 9, versículos de 57 a 60, intitulado pela traduçao da Ave Maria de “Três casos de vocação”. O evangelista nos apresenta neste texto três posturas diferentes de pessoas que desejam seguir a Jesus, sendo que para cada uma delas o Senhor dá respostas diferentes.
O primeiro caso refere-se ao versículo transcrito no início,  nesta situação, a pessoa sente-se chamada quando encontra Jesus pelo caminho. Poderíamos pensar que é o caso de pessoas que encontram Jesus já numa caminhada na Igreja, ou seja, vivem uma vida de doação na Igreja, mas não por conta de um encontro pessoal com o Senhor. Este encontro acontece “no caminho” e o primeiro impulso é o de seguir ao Senhor onde quer que Ele vá. A estas pessoas, Jesus adverte que Seu caminho é incerto, não há confortos, nem regalias:
“As raposas tem tocas e os pássaros do céu, ninhos; o Filho do Homem, porém, não tem onde recostar a cabeça.” (Lc 9,58)
Tanto nesta como em outras passagens do Evangelho, o Senhor convida os discípulos ao abandono de si mesmo, à doação, à renúncia, à cruz. Pode parecer meio duro e difícil… e é! No entanto, não podemos esquecer que Nosso Senhor não ficou na cruz, Ele ressuscitou e tudo o que parecia noite e trevas foi iluminado e transfigurado!
Portanto, seguir ao Senhor, para você que já se encontrava no caminho, pode parecer algo radical e muito difícil, mas se o Senhor te pede mais, então porque não se lançar? Que possamos a cada dia como esta pessoa do Evangelho dizer ao Senhor: “eu te seguirei para onde quer que vás” e andar junto com o Senhor, pois o que é a nossa vida senão um caminho rumo ao céu?!
Num próximo momento refletiremos sobre os outros casos de vocação. Por hoje fiquemos com este e rezemos por todas aquelas pessoas que estão na Igreja, mas que ainda não tiveram um encontro pessoal com o Senhor; rezemos também por nós que ainda não conseguimos dizer ao Senhor: “te seguirei para onde quer que vás”!”


quarta-feira, 30 de maio de 2012


Donde veio a vocação?

Não há um fator determinante sobre a origem da vocação. Sabemos que a família, a paróquia, a escola e o ambiente influem na origem da vocação. Mas há uma experiência de Deus muito particular, que faz um jovem decidir por este ou aquele caminho. Há uma opção pessoal que faz conduzir o jovem ao sacerdócio ou à vida consagrada, até mesmo em ambiente contrário.

A família está influindo sobre o despertar vocacional mais do que se imaginava antes de possuir os dados concretos na mão. A grande porcentagem (24%) declara a vocação sacerdotal ou consagrada como uma “descoberta infantil”. Não é ‘fogo de palha’, pois aumenta (26%) para os que estão na teologia, O que nos chama a atenção é o ‘abandono catequético’ das crianças até 10 anos. Deixa-se à família esta tarefa.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Vocação: história do encontro com Cristo


Quando somos convidados a refletir sobre nossa vocação e nosso compromisso com a Igreja e a sociedade. Para muitos, vocação significa inclinação, tendência, talento, qualidade inata que conduz uma pessoa para uma determinada profissão ou um determinado trabalho. Essa compreensão não ajuda muito na autêntica compreensão da vocação como ela é na dimensão religiosa. É necessário, pois, compreender a palavra vocação com maior precisão, quando se refere à dimensão religiosa.



Vocação no sentido mais preciso, como fenômeno da dimensão religiosa, não é inclinação, nem tendência, nem talento, nem propriamente dom para uma profissão. É, em primeiro lugar,decidida e simplesmente, um chamamento vindo diretamente para nós, endereçada a nós a partir de Jesus Cristo, que nos convoca para o discipulado do seguimento. Significa, portanto, que anterior a nós há um chamado, uma escolha pessoal que vem do Deus de Jesus Cristo, a quem seguimos no total empenho de discípulo. Portanto vocação é um chamado que vem do alto. Quem puder entender entenda, quem tem ouvidos ouça!

Às vezes perguntamos: Para que serve a vocação religiosa? Em sintonia com o nosso tempo, pergunta-se pela utilidade da vocação. É a primeira pergunta e também a mais superficial. Não é difícil achar “utilidades” para a vocação religiosa! Diz-se que ela não tem sentido em si, só tem sentido se favorece o engajamento em trabalhos pastorais e sociais ou se ela for suporte da vida pastoral-social como um “abastecer-se para” ou se conduzir para a união íntima com Deus. A vocação, porém, não “serve” para nada. Ela tem sentido em si, a partir de si. Ela é a história do nosso encontro com Jesus Cristo, história que nós próprios somos. É a história da presença de Jesus Cristo em nós.

Outras vezes perguntamos: Será que tenho vocação? Quem me garante que tenho vocação? Quem me garante que Deus me escolheu? Buscamos alguma certeza para nos tranqüilizar. Essas perguntas surgem porque se infiltrou na dimensão da fé uma maneira de pensar em que a experiência do anterior não é importante e deixou de ser uma evidência. Para outras experiências humanas de fundo não precisamos fazer toda essa “pesquisa”, elas já são uma evidência. Quem tem um bom relacionamento com os pais não precisa averiguar se os pais o amam... 

Vocação é a experiência de uma realidade anterior a nós, que não precisa ser averiguada. Se estamos perguntando é porque Alguém nos amou primeiro e nos chamou. Portanto não somos nós que temos vocação, é a vocação que nos tem!

Perguntamos ainda: Por que somos vocacionados? O que provocou nossa atual situação de sermos vocacionados? Vocação nesse sentido é o destino atual da nossa vida. Perguntamos, portanto, pela causa que determinou o atual estado da nossa vida. Na busca pelo motivo, surgem diversas respostas que nos deixam atrapalhados: o motivo foram nossos pais, nosso vigário, um missionário, um professor, a influência de um amigo, a ambição de nos promover, uma crise religiosa, uma visita ao seminário, o fato de termos nascido numa família tradicionalmente cristã, a leitura da biografia de um santo, o desejo de usar vestes litúrgicas tão estranhas aos nossos olhos de criança... Muitas vezes esses motivos são tão banais e acidentais que nem sequer deles nos recordamos. Buscar a causa da nossa vocação não tem sentido, pois essa busca é a tentativa de assegurar a própria situação a partir dela e não a partir da gratuidade do envio de Deus.

A vocação é uma evidência vital que aos poucos e sempre mais vai tomando conta da nossa vida como dom de Deus, que ama primeiro, e como conquista de nosso empenho de discípulos. É dom de Deus porque na existência cristã tudo, desde o início, é a história da aventura do encontro com Deus, na urgência de, em cada passo da caminhada, ter que conquistar o significado da nossa vida. Vocação é uma estrutura processual, na qual cada passo nasce do outro numa implicação de progressão que não é simplesmente evolução, mas a constituição, a criação do rumo da vida como uma “experiência originária”. 

A vocação é uma disposição que, conduzida por Deus, torna a vida “com-vocada”. É conquista do discípulo porque tudo o que acontece, os fatos mais banais podem ser a clareira que “e-voca”, ecoa a vocação vinda de Deus. Evocação que jamais é “certeza” do saber de dominação, mas que dá a disposição de ausculta, de acolhida, o ouvido atento que percebe o sentido concrescente da provocação de Deus. Por isso aquele que responde a esse chamado toma muito a sério sua situação concreta de ser um “vocacionado”
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segunda-feira, 28 de maio de 2012




Cada vocação é original, é fruto da liberdade, é um acontecimento pessoal, único e incomunicável.Tem como finalidade primeiraa humanização da pessoa e oserviço do Reino. Quando uma pessoa se diz chamada é preciso acreditar nela. A experiência vocacional é pessoal, pode acontecer mesmo em quem não se espera.

A certeza não vem de imediato,a vocação está submetida a tentações e inquietudes. Uma pessoa pode se sentir atraída porum sistema de valores, mas isto não quer dizer que não se sinta atraído por outros valores. Existea dúvida.

A eleição é dolorosa, a escolha custa: ser padre; religioso(a); casar.Dói rejeitar aquilo que não escolhi. Não porque não é bom,mas, porque eu não escolhi.

A entrega a um valor envolve um sacrifício. SACRIFÍCIO E SEDUÇÃO.Sacrifício: deixar para trás tudo aquilo que eu não escolhi. Sedução:atração divina.

A pessoa é convidada a escutar e receber, colaborar com docilidade.Iniciar-se em Cristo é descobrí-lo, é deixar que ele nos encontre, nos agarre incondicionalmente, é recebê-lo. É um estado de permanente conversão. A pessoa é como ovelha extraviada, dracma perdida, filho fugido (Lc 15) que entrega nas mãos do Pai e se deixa encontrar qual tesouro no campo ou pérola preciosa. Vai vende tudo, renuncia sua vida e recebe um novo ser. É sair de si mesmo, distanciar-se daquilo que até agora era segurança,o bem estar, o poder, o consumo e,ao mesmo tempo, é entrega total e incondicional a Cristo.

domingo, 27 de maio de 2012

Vocação: Realidade Divino-humana



 
 
Do latim vocare (chamar), “vocação” implica um “chamado”, um “chamamento”, que envolve sempre e necessariamente, pelo menos, duas pessoas: a que chama, a que é chamada e deve responder.
 
Ao se falar de “vocação”, num contexto cristão, trata-se do chamado dirigido por Deus aos homens. Trata-se, portanto, de uma relação divino-humana, de um encontro provocado por Deus e que preenche um anseio profundo do coração humano polarizado que é para o coração de Deus.
 
Olhando o homem e a mulher, enquanto vocacionados por Deus, vamos apontar alguns elementos inerentes à vocação – seja qual for – esboçando-lhe assim a estrutura, mas apenas sob o ponto de vista de uma oferta divina a ser percebida e acolhida pelo homem, de uma proposta divina a exigir uma resposta comprometedora do homem.
 
Focalizando a vocação do lado de Deus, isto é, sob o prisma do que chama:
 
- Vocação: dom de Deus.
 
A vocação é um dom de Deus ao homem. Algo de inteiramente gratuito, que brota exclusivamente de Deus. Ele se manifesta aos homens, manifesta-lhes o seu plano de amor, seus desígnios, a sua vontade para todos e cada um. Faz-lhes um convite. Vocaciona-os. Confia-lhes uma tarefa. E age sempre livremente, pois se dirige aos homens, carentes de méritos, de força exigitiva, de crédito junto a Ele. Diante dEle somos só devedores! Ele nos amou, por primeiro, quando ainda éramos pecadores. De Deus, portanto, é o primeiro passo e sempre ao compasso de um coração livre, infinitamente sábio, magnânimo, amoroso e repleto de misericórdia.
 
- Vocação: uma proposta divina à liberdade humana.
 
            Deus, de um modo geral, não se impõe; Ele se propõe. Seu plano de amor, Sua vontade, Seu dom podem, infelizmente, não encontrar guarida no coração humano. Deus deixa ao homem a possibilidade de uma resposta, exigi-lhe mesmo uma adesão interior, comprometedora. A vocação não dispensa o homem de balbuciar um amadurecido sim, não o preserva do risco de dizer e manter um insensato não; antes, exige dele uma opção.
 
Focalizando agora do lado do homem, isto é, sob o prisma do vocacionado:
 
- Vocação: um saber ouvir e acolher da parte do homem.
 
Estar atento à voz de Deus é uma exigência vital para o homem. Escutar atentamente a Deus que se lhe manifesta e a sua vontade: na Criação; na História da Salvação; de modo pleno, total e definitivo, no Cristo, plenitude da Revelação e Consumador da obra salvífica de Deus; na Igreja, prolongamento visível de Cristo; na intimidade da consciência de cada um; nos sinais dos tempos; nas solicitações íntimas do Espírito... Escutar a Deus que assim lhe fala é uma tarefa ininterrupta para o homem. Deus não se cala, está sempre a sussurrar, de fora e por dentro, junto aos ouvidos e corações humanos. Todavia, a “poluição sonora” de milhões de outras vozes estão a neutralizar, no homem, a voz de Deus; são inúmeros os ídolos impregnando o coração do homem, fazendo-o pulsar num outro ritmo, alheio ao ritmo divino.
 
Assim, é necessário que o homem se empenhe na conquista ou reconquista do silêncio interior, retome o único ritmo que lhe convém: o da profunda sintonia com a “frequência” divina.
           
Vocação: uma permanente opção do homem.
           
Ao homem cabe uma resposta total, absoluta, incondicional, sempre renovada, ao chamado de Deus. Cabe-lhe a adesão que compromete a vida. Cabe-lhe um empenho sério de fidelidade à resposta dada. Mas, sem dúvida, é sob o impulso da graça divina que o homem responde, adere, permanece fiel. Com efeito, Deus opera e o homem coopera.
 
Ser ouvinte assíduo e atento de Deus, estar sempre disponível para prontamente acolher o convite divino, fiar-se sem reservas na graça divina que fortalece, empenhar-se sem medir esforços na tarefa humana de cooperar com a graça, assumir até o fim a própria vocação...eis o nosso desafio!

sábado, 26 de maio de 2012