sexta-feira, 14 de setembro de 2012


“O sal no cocho”


Um criador de gado ou um tirador de leite faz tudo para que seu gado esteja sempre bem tratado e nutrido. Ele sabe que além de um bom pasto, o gado precisa de sal mineral. O sal é colocado no cocho, num lugar estratégico do pasto. Normalmente tem uma cobertura para evitar que o sal se derreta com a chuva.
Quando o retireiro coloca o sal no cocho, ele  não precisa tocar as criações para lá. O gado, com seu faro, sente a presença do sal e caminha para o cocho. É a atração do sal. As criações não o comem de bocada. Elas o lambem devagar. Depois de saborear o sal ficam em Volta do cocho por uns instantes…  vão em direção DA água. Depois deitam e ruminam.
Os componentes nutritivos do sal fazem o gado ficar mais sadio, mais resistente, seu pêlo se assenta e não se arrepia. O sal mineral dá resistência contra OS parasitas. Com o seu uso, o gado FICA menos arisco, mais agrupado. O sal mineral não pode faltar no cocho. Sem ele, o gado perde  resistência,  perde peso, e se torna mais agressivo. E ainda, não se pode substituir o sal mineral pelo sal de cozinha. Deve-se colocar o sal apropriado.
A Vida Religiosa tem como base a vida comunitária, por isso, ela tem  muito a ver com o sal mineral no cocho. O cocho reúne o gado, a vida comunitária reúne OS irmãos. Assim, não basta apenas ter o “cocho” DA vida comunitária de forma institucional, canônica. Tudo isto é uma necessidade que deve estar a serviço DA vida . Só as normas não preenchem o sentido de uma vida em grupo. Quando isto acontece o “cocho” DA vida comunitária pode ficar vazio. Deixa de exercer sua atração. Os membros de uma comunidade religiosa, quando se reúnem no  “cocho” DA vida comunitária apenas pela força de um regulamento, não se sentem bem em Volta dele. A vida comunitária torna-se um peso difícil de suportar.
A ESPIRITUALIDADE  é o “sal mineral” que dá sentido ao “cocho” DA vida  comunitária. O seguimento de Jesus Cristo, explicitado na vivência do carisma DA Congregação, faz com que OS membros DA comunidade religiosa sejam tocados por Deus. Passam a agir por uma forte mística pela qual, as normas e regulamentos são vistos como mediações para nos conduzir ao Absoluto de Deus.
No “cocho” DA vida comunitária, não pode faltar a espiritualidade. Ela é que, de fato, congrega, atrai e alimenta OS membros para um mesmo ideal. Ela desperta encantamento e fascinação. Os  melindres, preconceitos e desconfianças (= arrepios), vão desaparecendo e a fraternidade encontra seu espaço. A vida comunitária deixa de ser um peso, vira alegria. Aí, pode-se cantar como o salmista: “Vejam como é bom, como é agradável OS irmãos viverem unidos.” (Sl 133,1). O sal DA espiritualidade faz também crescer, cada vez mais, a nossa sede de Deus (Cf. Sl 42,3).
Este “cocho” DA vida comunitária, animado pelo sal DA espiritualidade, deve ter a cobertura contra as “chuvas” do ativismo, do barulho, do consumismo e outros “ismos” que podem ir derretendo este sal DA espiritualidade. Sem o sal verdadeiro de uma profunda espiritualidade, a vida comunitária perde o sentido e a credibilidade. Deixa de ser sinal e testemunho do Reino de Deus.
A  Espiritualidade não pode ser reduzida a momentos de oração. Ela deve ser cultivada nestes momentos comunitários fortes. Mas vai muito além deles. Trata-se de um mergulho no mistério de Deus através do silêncio contemplativo. Quando este “cocho” DA vida comunitária FICA vazio, a vida religiosa também FICA vazia, perde o sentido, perde sua força de atração, e o que é pior, seus membros começam a se estranhar. Os “bernes” começam a latejar, e vai-se perdendo a sede de Deus. E pode-se passar a ter sede de outras coisas.
A intimidade com a Palavra de Deus nos coloca na convivência com a caminhada mística de diversos personagens bíblicos. O primeiro deles é Abraão, símbolo vivo de nossa caminhada rumo a Deus. Ele  faz a sua experiência de Deus, levando consigo seus problemas e esperanças, sua coragem e indecisões, sua sabedoria de vida e sua forte disponibilidade. A experiência de Deus feita por Abraão tem componentes básicos que não podem faltar no sal DA nossa espiritualidade: Saída = risco (cf. Gn 12,1-9). Promessa = bênção (cf. Gn 13,14-18). Terra = residir nela como estrangeiro; culto na tenda = Hospitalidade (cf. Gn17, 3-8). A presença de Deus é descoberta no convívio de uma refeição debaixo do carvalho (cf. Gn 18, 1-10). Perder o sentido do acolhimento é perder o sentido do outro e de Deus. Fogueira = entrega  total (cf. Gn 22,1-19).
O sal DA espiritualidade em nosso “cocho” DA vida comunitária tem os ingredientes da espiritualidade de Abraão?  Que “Deus possa nos ocultar na sua cabana e esconder-nos no segredo de sua tenda” (Sl 27,5), para que possamos revigorar o sal da espiritualidade dos “cochos” de nossas vidas comunitárias.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Razões para ser padre


 Na sociedade atual, hedonista e secularizada, a figura do Padre é objeto de muita discussão, inclusive através da mídia. Freqüentemente, pessoas que pouco entendem do assunto, se permitem a audácia, talvez até com boa intenção, de dar sugestões sobre como deveria ser o sacerdócio católico. O Presbítero, habitualmente chamado pelo povo de Padre, possui o segundo grau do Sacramento da Ordem. Portanto, é Sacerdote, assim como o Bispo, que tem a plenitude deste Sacramento. Nesta reflexão, vamos considerar algumas razões para ser Padre, isto é, participante do Sacerdócio de Jesus Cristo, hoje e sempre. Primeiramente, é preciso compreender que o Padre foi chamado por Deus. Não é uma vocação que alguém escolhe, porque se julga apto para tal, ou porque acha interessante. A escolha é de Deus, e o seu chamado não se discute. Por isso, o sacerdócio é um privilégio, imerecido. Quando da eleição dos Apóstolos, e também dos discípulos, Jesus passou a noite em oração. Pela manhã, Ele escolheu os que queria para o seu grupo, com os quais fundou a sua Igreja, que subsistirá até o fim dos tempos – a Igreja Católica Apostólica Romana. O Padre é homem de Deus. Esta é sua característica fundamental. Tudo que se queira acrescentar à sua figura, são detalhes acidentais. Jesus, aos 12 anos, afirmou: “Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” (Lc 2,49). Tal é a realidade mais profunda do Padre – as coisas do Pai. Isto não impede que seja uma pessoa politizada e comprometida com a realidade que o cerca. Não se trata de fazer política partidária, que não compete ao ministro ordenado, mas da orientação ao seu rebanho para a prática da cidadania e um posicionamento segundo a moral cristã, sempre tendo em vista o bem comum. Apesar do secularismo, a que já aludimos, o homem hodierno busca, sequiosamente, o rosto de Cristo. Por isso, o Padre é chamado a ser re+presentante do próprio Senhor: ele O torna novamente presente. E quanto mais transparente e mais perfeita for essa presença, melhor responderá às indagações dos que a procuram. Nosso pranteado Papa João Paulo II nos exortava a contemplar o rosto de Cristo, para revelá-lo aos outros. Chegou a dizer que os Padres são o “Coração de Jesus” – expressão forte, que significa o amor de Jesus, divino e humano, que o Padre deve transparecer, através da missão que exerce. O povo quer ver, tocar, perceber, ouvir o Cristo na pessoa do Padre. Por isso, a palavra do Padre não é dele mesmo, mas é a Palavra de Deus. O toque sacramental do Padre não é um toque meramente humano, mas ultrapassa esta dimensão e penetra no divino, do qual o sacerdócio é, de fato, mediação. Esta configuração ao Cristo tem profundas raízes teológicas, que atestam a exclusividade do sacerdócio para os varões, como participação no único e eterno sacerdócio do próprio Cristo. Jesus não escolheu nem sua própria Mãe Santíssima, para compor o grupo daqueles que seriam a base apostólica da sua Igreja. Mas não é nosso propósito discutir este assunto, no presente texto. Apenas confirmamos a posição da Igreja, em nome de quem o Papa João Paulo II falou, quando expôs, claramente, seu ensinamento a este respeito. Ainda segundo o saudoso Papa, na sua Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis – “Dar-vos-ei Pastores segundo o meu Coração” (Jr 3,15), de 25 de março de 1992, o Padre tem que possuir 5 qualidades essenciais: 1° Ser homem, física e psicologicamente, sadio. 2° Ser pessoa de oração, portanto piedoso. Pietas, em latim, significa um devotamento filial aos pais. O Padre deve ter um afeto filial, carinhoso para com Deus, nosso Pai, e é a partir desse modelo, que ele vai buscar a delicadeza paterna, e materna, que demonstrará na sua experiência humana de diálogo com o mundo de hoje, homens e mulheres do nosso tempo. 3° Ser uma pessoa culta. A formação intelectual de um Padre exige um mínimo de 7 anos de estudos universitários, incluindo as Faculdades de Filosofia e de Teologia, além da comprovada competência pastoral. 4° Ser um verdadeiro pastor. Deve conhecer os problemas que se abatem sobre a humanidade, para dar a resposta pastoral necessária, dentro de uma visão eclesial coerente. 5° Ser um elemento de equipe, que saiba viver em comunidade e para a comunidade. Que nunca trabalhe só, a não ser nas coisas do trato direto com Deus. Tudo o mais seja feito em conjunto com a comunidade a que ele serve. Isto exige afabilidade, equilíbrio e capacidade de diálogo. Como seguidores de Cristo, os Apóstolos tiveram que deixar tudo: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim” (Mt 10,37). Trata-se da doação integral da pessoa e da sua capacidade de amar, para que Cristo dela disponha em favor dos mais necessitados: os pobres, os pecadores, os que sofrem de múltiplas carências, os que nos procuram para aconselhamento. Para estar disponível a tudo isto, permanentemente, é preciso ter um amor exclusivo. São Paulo diz, claramente: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa” (1Cor 7,32-33). Portanto, tem um coração dividido. O Padre não pode viver assim. O seu amor, as suas energias, a sua competência, tudo deve estar a serviço das ovelhas do seu rebanho. Por isso, a Igreja, desde os primórdios, introduziu o celibato, seguindo a exigência que Jesus fez aos Apóstolos sobre deixar tudo. Apesar do que afirmam as críticas apressadas a esta norma antiqüíssima, o celibato sacerdotal não é a causa de eventuais problemas afetivos. O Pontifício Conselho para a Família tem afirmado, muitas vezes, que se encontram na família os maiores problemas da atualidade, sob qualquer ponto de vista: pastoral, social, cultural. Não adianta querer resolver uma suposta carência afetiva na vida do Padre, apelando para o Matrimônio, como se fosse a solução mágica. Na vida a dois também há solidões. E muitas. Talvez, até, mais dolorosas do que no celibato. Os psicólogos estão aí para comprová-lo. A doação integral do amor faz parte da condição existencial do Padre. Sendo uma vocação, é a única capaz de realizá-lo como pessoa. Quem não for capaz disto, por um compromisso total, irrestrito e perpétuo, não é chamado para o sacerdócio, segundo a vivência da Igreja Latina, Ocidental. Rezemos para que Deus nos dê sempre bons e santos Padres, segundo o seu Coração: “A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores, e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade” (Pastores Dabo Vobis, n°82).

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


O mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam…

O mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam…
 
Em tempos de grandes transformações, o mundo contemporâneo precisa de consagrados e consagradas que sejam: 
Homens e Mulheres do seu tempo, plenamente humanos/as, que se sentem filhos e filhas amados/as por Deus, chamados/as, enviados/as a serem expressão do Amor de Deus na humanidade.
Homens e Mulheres apaixonados/as por Jesus Cristo e pela humanidade, capazes de entregar suas vidas, de forma generosa e gratuita, em prol da concretização do Reino.
Homens e Mulheres que testemunham, pela sua própria vida, que é possível amar plenamente as pessoas e viver de forma livre, frente aos bens e à própria Vida.
Homens e Mulheres que buscam, acima de tudo, viver uma espiritualidade encarnada e itinerante, que os tornam sensíveis diante dos apelos de Deus, que se revelam nos sinais dos tempos e no cotidiano da vida.
Homens e Mulheres criativos/as, corajosos/as, capazes de ultrapassar fronteiras culturais, étnicas e geográficas, para anunciar o Evangelho da Vida e da Esperança.
Homens e Mulheres do povo, capazes de em tudo amar e servir. Comprometidos/as com a construção de uma sociedade fundada em novas relações políticas, econômicas e sociais.
Homens e Mulheres que marcam presença profético-solidária, num mundo em constante transformação sócio-cultural. Homens e mulheres que revelam o rosto de um Deus que continua vendo e ouvindo os gritos dos empobrecidos e excluídos do nosso tempo. De um Deus que continua descendo para libertar, resgatar e promover a vida de seu povo, através da missão de cada consagrado e consagrada.
Homens e Mulheres que ao encontrar-se com Ressuscitado nos “Caminhos de Emaus” deixam-se abrasar pelo seu amor e ousam voltar para as tantas “Jerusalém” dos nossos dias e, ali anunciam que vale a pena viver segundo o Projeto de Jesus.
Homens e Mulheres capazes de romper com as seguranças e as estruturas que limitam a fidelidade criativa do Carisma e a vivência de uma VRC refundada, criativa, solidária, profética e sinal da presença do Reino de Deus, no atual momento da história.
Homens e Mulheres capazes de alargar o espaço da “tenda” da VRC, para acolher a diversidade de cores, culturas, gerações e carismas e unir forças diante dos novos apelos e desafios da missão.
Homens e Mulheres capazes de adentrar corajosamente nos espaços em transformação, sendo presença de uma Vida Religiosa humanizadora, dedicada ao cuidado da vida humana e do cosmo.

PARABÉNS pela coragem e ousadia de sonhar e buscar viver com autenticidade essa proposta de Vida Consagrada.
PARABÉNS por ser LUZ e presença amorosa, terna e misericordiosa do Deus da Vida, no meio do Povo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012


Chamado para servir

Desperte uma Cultura Vocacional nas paróquias
Quando falamos do “Serviço de Animação Vocacional”, ou propriamente na “Pastoral Vocacional”, pensamos imediatamente em “Promoção Vocacional” e isto nos faz erroneamente pensar que a Animação Vocacional se reduz ao serviço de promover as vocações específicas: “sacerdotais, religiosas e missionárias”. O trabalho vocacional é mais amplo e exigente, pois indica que se deve percorrer um longo itinerário vocacional que começa no batismo de todo cristão, e que a primeira vocação da qual somos chamados é a vocação à vida.
Toda vocação nasce a partir do batismo, como já afirmavam as reflexões do 2º Ano Vocacional do Brasil (2003). Se é verdade que toda vocação nasce do batismo, ela deveria ser cultivada no seio da família e da comunidade eclesial, que tem a missão de ajudá-la na confirmação dos sacramentos. Isto exige cultivo, terreno fértil, oração da família e da comunidade, de modo que todas as vocações encontrem seu lugar e missão. Refiro-me às vocações específicas ao ministério ordenado e à vida consagrada, bem como às vocações laicais do matrimônio e dos vários serviços e ministérios a serviço da vida e da missão. Pelo batismo somos chamados como “discípulos e missionários de Jesus Cristo em favor da vida”, já nos recordou a Conferência de Aparecida.
É bom lembrar que antes do Concílio Vaticano II a animação vocacional estava reduzida à “Obra das Vocações Sacerdotais”. Tudo girava em torno da figura do padre. Após o concílio, com a redescoberta do conceito “Povo de Deus”, o significado da vocação foi melhor compreendido. Passou se criar uma consciência vocacional, embora tenhamos um longo caminho para percorrer e somos interpelados por Deus.
Na Exortação Apostólica “Pastores Dabo Vobis” (cf. PDV, 34), de João Paulo II, lemos: “o cuidado que a Igreja deve ter com as vocações não é uma simples parte de uma pastoral global, mas uma dimensão conatural e essencial de toda a evangelização”. João Paulo II, no início do Terceiro Milênio, Volta a surpreender afirmando que a Igreja não deve apenas promover e animar as vocações para o presbiterato, mas deve motivar e incentivar cada uma, ou seja, todas as vocações (cf. NMI, 46).
Neste sentido a animação vocacional é um dever de toda a comunidade cristã, a qual, pelo testemunho de uma vida plenamente cristã, se torna mediadora da vocação divina (cf. OT, 2). Dentro desta perspectiva, a paróquia, e todas as comunidades que a ela estão ligadas, deve se comprometer com o serviço de animação vocacional, mesmo que haja uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP), ou Pastoral Vocacional, responsável. Na animação vocacional deverão estar presentes todas as pessoas da comunidade, considerando o fato que a Igreja é “ mysterium vocationis”, ou seja, Povo de Deus convocado e reunido pela Trindade (cf. PDV, 34).
A animação vocacional procura incentivar a ação de toda a Igreja, de toda a comunidade e de suas pastorais e movimentos afins, no sentido de mediar o chamamento divino dirigido a todas as pessoas.
Na maioria das paróquias a animação vocacional está restrita apenas a alguns momentos fortes. Para se criar uma consciência vocacional temos que desenvolver uma atividade vocacional permanente. Por isso é Grande a urgência “que se difunda e se radique a convicção de que todos OS membros da Igreja, sem exceção, tem a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações” (cf. PDV, 41).
Quando o pároco se torna o primeiro animador vocacional a paróquia passa a redescobrir o valor de se despertar e cultivar uma “cultura vocacional”.
Portanto, uma paróquia toda “vocacionalizada” será uma paróquia onde as pessoas terão o prazer de participar na alegria e colaborar com entusiasmo nos vários serviços e ministérios. Uma pastoral que sente-se vocacionalizada é uma pastoral que age por convicção e fé de que foi chamada para o serviço na Igreja e não simplesmente para ocupar mais um espaço. Uma pastoral, ou movimento eclesial, que tem a consciência vocacional do chamado divino gera testemunho de vida, amplia a ação pastoral, atrai e cultiva as vocações específicas para o sacerdócio presbiteral e para a vida consagrada, sem mencionar a qualidade da participação dos fiéis nas celebrações e eventos programados no âmbito paroquial.
Lembremos que um dos méritos do Concílio Vaticano II foi pensar a Igreja a partir de uma nova eclesiologia, dando assim suporte a uma ação de maior comunhão e de maior participação de todas as pessoas batizadas. Somos frutos do Concílio Vaticano II, somos a “Igreja, Povo de Deus, a serviço da vida” (cf. Tema do 2º Congresso Vocacional do Brasil).
Fazer animação vocacional na paróquia supõe, antes de mais nada, uma conscientização vocacional de que todas as pastorais e movimentos são chamados a despertar uma “Cultura Vocacional”, a qual podemos denominar de “vocacionalização” das pastorais e movimentos. As paróquias que estão investindo neste campo colherão seus frutos: adolescentes e jovens que optam pela orientação vocacional são acompanhados pela Pastoral Vocacional e, destes, alguns poderão ingressar nos seminários e casas religiosas, outros bem orientados vocacionalmente buscarão a vocação do matrimônio, permanecendo engajados na comunidade e fazendo da paróquia o lugar da comunhão e da partilha.
Relaciono a seguir dez dicas vocacionais para os párocos e suas paróquias:
1. Ter presente uma questão eclesial: Que tipo de paróquia queremos no século XXI?
2. Trabalhar para que o Serviço de Animação Vocacional (SAV) não seja mais uma “pastoral setorial”, mas a coluna vertebral de toda a paróquia.
3. Criar uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP) – Pastoral Vocacional.
4. Empenhar-se com todas as forças para uma “consciência vocacional” em todas as pastorais e movimentos.
5. Aprofundar o conceito teológico de vocação, avaliando sempre que tipo de teologia e de espiritualidade sustenta a prática das pastorais e movimentos na paróquia.
6. Estar em sintonia com a mentalidade dos jovens para transmitir a mensagem vocacional. Realizar um esforço neste sentido e ir até eles (cf. desafios das “novas praças vocacionais” – cf. Documento final do 2º Congresso Vocacional do Brasil – estudos da CNBB 90).
7. Empenhar-se na conscientização da vocação da família através das visitas familiares e atividades afins – motivar o trabalho da Pastoral Familiar.
8. Interação entre a Pastoral Vocacional e as outras pastorais, especialmente: Pastoral da Juventude, Pastoral Familiar, Pastoral Catequética e Pastoral Litúrgica.
9. Acolher os jovens vocacionados. Muitos serão frutos destas pastorais. Levar a sério o “Itinerário Vocacional” até o ingresso em um seminário ou casa de formação.
10. Despertar na paróquia a oração pelas vocações e a atualização de bons conteúdos vocacionais podendo ser utilizados materiais específicos, caso das “celebrações vocacionais”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012


Histórias de Vocação

na Sagrada Escritura

 

Samuel (1Sm 3, 1-21)


O chamado de Samuel pelo Senhor é, sem dúvida, um dos mais conhecidos. O relato nos diz que Samuel servia no templo ao sacerdote Eli. Está, pois, numa disposição de abertura a Deus e de serviço, dom de si. Ele ouve durante a noite alguém que chamar por seu nome. Toda vocação é pessoal. Deus solicita uma pessoa com um nome, uma história.
Samuel não compreende porque ele ainda não conhece a palavra do Senhor, ou seja, ele ainda não aprendeu a reconhecer o seu modo de falar. Ele pensa a cada vez que escuta Eli chamando-o. Sua prontidão em responder três vezes a esta voz que seu mestre diz que não é ele que o chama, testemunha sua abertura de coração e de desejo de se dar. É preciso que Eli compreenda, vendo a retidão de Samuel, que se trata do Senhor. Ele pode, então, revelar-lhe a identidade de seu interlocutor misterioso e como responder-lhe.
A disponibilidade de Samuel com relação a Eli lhe permite acolher o discernimento que o sacerdote faz e responder pessoalmente ao chamado que lhe é dirigido.
Temos aqui os principais elementos de uma vocação e da resposta a ela. Esta história acontece à noite, num momento onde os sentidos estão adormecidos, onde a atividade á reduzida. Isso não acontece por acaso. Deus fala quando ele pode ser ouvido, quando, por meio de um retiro, um tempo de repouso, estamos menos preocupados pelas atividades do mundo. Deus pode ser escutado quando o coração está aberto, desejoso de se dar. A resposta a este chamado do Senhor é um dom de si.
Viver na doação de si é, pois, já preparar-se para responder à vontade de Deus. Samuel escuta, mas não reconhece a voz. Para discernir o chamado de Deus é preciso a ajuda de uma pessoa experimentada, conhecedora da voz do Senhor, de sua maneira de falar. Samuel responde dizendo: “fala que teu servo escuta”. Sua resposta manifesta a oferta de sua liberdade a Deus. Ele o permite revelar sua palavra.

sábado, 8 de setembro de 2012


Não Fostes Vós que me Escolhestes

A palavra "vocação" vem do latim vocare e significa "chamar". Portanto, vocação implica num chamado. há diversas formas de vocação, dentre elas, a vocação sacerdotal, que é um chamado de Deus a um jovem. Sendo que esta, somente se concretiza, se este der uma resposta positiva.
A vocação sacersotal pode ser comparada como uma semente que é lançada na terra, mas que só produzirá frutos se esta encontrar um terreno produtivo, do contrário não chegará a se desenvolver. Ou seja, Deus coloca no coração do jovem o desejo de servi-lo como sacerdote, mas dá liberdade para escolher. este desejo precisa ser cultivado através de uma verdadeira amizade com Deus. Amizade que é mantida por meio da oração, da leitura e escuta da Palavra, da participação na missa, entre outras.  

Para o discernimento vocacional é importante observar os sinais de Deus que se comunica a todo instante. Todavia, estes sinais não são extraordinários, como uma do além que fala ao ouvido. Um exemplo de sinal pode ser um convite para participar de um encontro ou, até de conhecer um seminário.

O chamado é feito de modo muito particular a cada um. Mas a missão do sacerdote é dar continuidade à ação de Jesus Cristo, sendo fiel ao seu seguimento. É possível recordar que, da mesma forma que Jesus passou por este mundo chamando os seus discípulos pelo nome, como fez a Pedro, André, Tiago e João à beira do Mar da Galiléia, da mesma forma, continua chamando jovens a deixarem tudo para segui-lo.

O sacerdote precisa ter sempre presente que sua vocação é antes de tudo uma escolha feita por Deus: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, e vos designei para irdes e produzirdes fruto, e para que vosso fruto permaneça". (Jo, 15,16).
Em suma, a vocação sacerdotal exige duas tarefas importantes que é o amor e a renúnica. Amar a Jesus Cristo, amar a si mesmo e amar os irmãos e renunciar as próprias vontades para realizar, sobretudo a vontade de Deus.