terça-feira, 11 de setembro de 2012


Chamado para servir

Desperte uma Cultura Vocacional nas paróquias
Quando falamos do “Serviço de Animação Vocacional”, ou propriamente na “Pastoral Vocacional”, pensamos imediatamente em “Promoção Vocacional” e isto nos faz erroneamente pensar que a Animação Vocacional se reduz ao serviço de promover as vocações específicas: “sacerdotais, religiosas e missionárias”. O trabalho vocacional é mais amplo e exigente, pois indica que se deve percorrer um longo itinerário vocacional que começa no batismo de todo cristão, e que a primeira vocação da qual somos chamados é a vocação à vida.
Toda vocação nasce a partir do batismo, como já afirmavam as reflexões do 2º Ano Vocacional do Brasil (2003). Se é verdade que toda vocação nasce do batismo, ela deveria ser cultivada no seio da família e da comunidade eclesial, que tem a missão de ajudá-la na confirmação dos sacramentos. Isto exige cultivo, terreno fértil, oração da família e da comunidade, de modo que todas as vocações encontrem seu lugar e missão. Refiro-me às vocações específicas ao ministério ordenado e à vida consagrada, bem como às vocações laicais do matrimônio e dos vários serviços e ministérios a serviço da vida e da missão. Pelo batismo somos chamados como “discípulos e missionários de Jesus Cristo em favor da vida”, já nos recordou a Conferência de Aparecida.
É bom lembrar que antes do Concílio Vaticano II a animação vocacional estava reduzida à “Obra das Vocações Sacerdotais”. Tudo girava em torno da figura do padre. Após o concílio, com a redescoberta do conceito “Povo de Deus”, o significado da vocação foi melhor compreendido. Passou se criar uma consciência vocacional, embora tenhamos um longo caminho para percorrer e somos interpelados por Deus.
Na Exortação Apostólica “Pastores Dabo Vobis” (cf. PDV, 34), de João Paulo II, lemos: “o cuidado que a Igreja deve ter com as vocações não é uma simples parte de uma pastoral global, mas uma dimensão conatural e essencial de toda a evangelização”. João Paulo II, no início do Terceiro Milênio, Volta a surpreender afirmando que a Igreja não deve apenas promover e animar as vocações para o presbiterato, mas deve motivar e incentivar cada uma, ou seja, todas as vocações (cf. NMI, 46).
Neste sentido a animação vocacional é um dever de toda a comunidade cristã, a qual, pelo testemunho de uma vida plenamente cristã, se torna mediadora da vocação divina (cf. OT, 2). Dentro desta perspectiva, a paróquia, e todas as comunidades que a ela estão ligadas, deve se comprometer com o serviço de animação vocacional, mesmo que haja uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP), ou Pastoral Vocacional, responsável. Na animação vocacional deverão estar presentes todas as pessoas da comunidade, considerando o fato que a Igreja é “ mysterium vocationis”, ou seja, Povo de Deus convocado e reunido pela Trindade (cf. PDV, 34).
A animação vocacional procura incentivar a ação de toda a Igreja, de toda a comunidade e de suas pastorais e movimentos afins, no sentido de mediar o chamamento divino dirigido a todas as pessoas.
Na maioria das paróquias a animação vocacional está restrita apenas a alguns momentos fortes. Para se criar uma consciência vocacional temos que desenvolver uma atividade vocacional permanente. Por isso é Grande a urgência “que se difunda e se radique a convicção de que todos OS membros da Igreja, sem exceção, tem a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações” (cf. PDV, 41).
Quando o pároco se torna o primeiro animador vocacional a paróquia passa a redescobrir o valor de se despertar e cultivar uma “cultura vocacional”.
Portanto, uma paróquia toda “vocacionalizada” será uma paróquia onde as pessoas terão o prazer de participar na alegria e colaborar com entusiasmo nos vários serviços e ministérios. Uma pastoral que sente-se vocacionalizada é uma pastoral que age por convicção e fé de que foi chamada para o serviço na Igreja e não simplesmente para ocupar mais um espaço. Uma pastoral, ou movimento eclesial, que tem a consciência vocacional do chamado divino gera testemunho de vida, amplia a ação pastoral, atrai e cultiva as vocações específicas para o sacerdócio presbiteral e para a vida consagrada, sem mencionar a qualidade da participação dos fiéis nas celebrações e eventos programados no âmbito paroquial.
Lembremos que um dos méritos do Concílio Vaticano II foi pensar a Igreja a partir de uma nova eclesiologia, dando assim suporte a uma ação de maior comunhão e de maior participação de todas as pessoas batizadas. Somos frutos do Concílio Vaticano II, somos a “Igreja, Povo de Deus, a serviço da vida” (cf. Tema do 2º Congresso Vocacional do Brasil).
Fazer animação vocacional na paróquia supõe, antes de mais nada, uma conscientização vocacional de que todas as pastorais e movimentos são chamados a despertar uma “Cultura Vocacional”, a qual podemos denominar de “vocacionalização” das pastorais e movimentos. As paróquias que estão investindo neste campo colherão seus frutos: adolescentes e jovens que optam pela orientação vocacional são acompanhados pela Pastoral Vocacional e, destes, alguns poderão ingressar nos seminários e casas religiosas, outros bem orientados vocacionalmente buscarão a vocação do matrimônio, permanecendo engajados na comunidade e fazendo da paróquia o lugar da comunhão e da partilha.
Relaciono a seguir dez dicas vocacionais para os párocos e suas paróquias:
1. Ter presente uma questão eclesial: Que tipo de paróquia queremos no século XXI?
2. Trabalhar para que o Serviço de Animação Vocacional (SAV) não seja mais uma “pastoral setorial”, mas a coluna vertebral de toda a paróquia.
3. Criar uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP) – Pastoral Vocacional.
4. Empenhar-se com todas as forças para uma “consciência vocacional” em todas as pastorais e movimentos.
5. Aprofundar o conceito teológico de vocação, avaliando sempre que tipo de teologia e de espiritualidade sustenta a prática das pastorais e movimentos na paróquia.
6. Estar em sintonia com a mentalidade dos jovens para transmitir a mensagem vocacional. Realizar um esforço neste sentido e ir até eles (cf. desafios das “novas praças vocacionais” – cf. Documento final do 2º Congresso Vocacional do Brasil – estudos da CNBB 90).
7. Empenhar-se na conscientização da vocação da família através das visitas familiares e atividades afins – motivar o trabalho da Pastoral Familiar.
8. Interação entre a Pastoral Vocacional e as outras pastorais, especialmente: Pastoral da Juventude, Pastoral Familiar, Pastoral Catequética e Pastoral Litúrgica.
9. Acolher os jovens vocacionados. Muitos serão frutos destas pastorais. Levar a sério o “Itinerário Vocacional” até o ingresso em um seminário ou casa de formação.
10. Despertar na paróquia a oração pelas vocações e a atualização de bons conteúdos vocacionais podendo ser utilizados materiais específicos, caso das “celebrações vocacionais”.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

domingo, 9 de setembro de 2012


Histórias de Vocação

na Sagrada Escritura

 

Samuel (1Sm 3, 1-21)


O chamado de Samuel pelo Senhor é, sem dúvida, um dos mais conhecidos. O relato nos diz que Samuel servia no templo ao sacerdote Eli. Está, pois, numa disposição de abertura a Deus e de serviço, dom de si. Ele ouve durante a noite alguém que chamar por seu nome. Toda vocação é pessoal. Deus solicita uma pessoa com um nome, uma história.
Samuel não compreende porque ele ainda não conhece a palavra do Senhor, ou seja, ele ainda não aprendeu a reconhecer o seu modo de falar. Ele pensa a cada vez que escuta Eli chamando-o. Sua prontidão em responder três vezes a esta voz que seu mestre diz que não é ele que o chama, testemunha sua abertura de coração e de desejo de se dar. É preciso que Eli compreenda, vendo a retidão de Samuel, que se trata do Senhor. Ele pode, então, revelar-lhe a identidade de seu interlocutor misterioso e como responder-lhe.
A disponibilidade de Samuel com relação a Eli lhe permite acolher o discernimento que o sacerdote faz e responder pessoalmente ao chamado que lhe é dirigido.
Temos aqui os principais elementos de uma vocação e da resposta a ela. Esta história acontece à noite, num momento onde os sentidos estão adormecidos, onde a atividade á reduzida. Isso não acontece por acaso. Deus fala quando ele pode ser ouvido, quando, por meio de um retiro, um tempo de repouso, estamos menos preocupados pelas atividades do mundo. Deus pode ser escutado quando o coração está aberto, desejoso de se dar. A resposta a este chamado do Senhor é um dom de si.
Viver na doação de si é, pois, já preparar-se para responder à vontade de Deus. Samuel escuta, mas não reconhece a voz. Para discernir o chamado de Deus é preciso a ajuda de uma pessoa experimentada, conhecedora da voz do Senhor, de sua maneira de falar. Samuel responde dizendo: “fala que teu servo escuta”. Sua resposta manifesta a oferta de sua liberdade a Deus. Ele o permite revelar sua palavra.

sábado, 8 de setembro de 2012


Não Fostes Vós que me Escolhestes

A palavra "vocação" vem do latim vocare e significa "chamar". Portanto, vocação implica num chamado. há diversas formas de vocação, dentre elas, a vocação sacerdotal, que é um chamado de Deus a um jovem. Sendo que esta, somente se concretiza, se este der uma resposta positiva.
A vocação sacersotal pode ser comparada como uma semente que é lançada na terra, mas que só produzirá frutos se esta encontrar um terreno produtivo, do contrário não chegará a se desenvolver. Ou seja, Deus coloca no coração do jovem o desejo de servi-lo como sacerdote, mas dá liberdade para escolher. este desejo precisa ser cultivado através de uma verdadeira amizade com Deus. Amizade que é mantida por meio da oração, da leitura e escuta da Palavra, da participação na missa, entre outras.  

Para o discernimento vocacional é importante observar os sinais de Deus que se comunica a todo instante. Todavia, estes sinais não são extraordinários, como uma do além que fala ao ouvido. Um exemplo de sinal pode ser um convite para participar de um encontro ou, até de conhecer um seminário.

O chamado é feito de modo muito particular a cada um. Mas a missão do sacerdote é dar continuidade à ação de Jesus Cristo, sendo fiel ao seu seguimento. É possível recordar que, da mesma forma que Jesus passou por este mundo chamando os seus discípulos pelo nome, como fez a Pedro, André, Tiago e João à beira do Mar da Galiléia, da mesma forma, continua chamando jovens a deixarem tudo para segui-lo.

O sacerdote precisa ter sempre presente que sua vocação é antes de tudo uma escolha feita por Deus: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, e vos designei para irdes e produzirdes fruto, e para que vosso fruto permaneça". (Jo, 15,16).
Em suma, a vocação sacerdotal exige duas tarefas importantes que é o amor e a renúnica. Amar a Jesus Cristo, amar a si mesmo e amar os irmãos e renunciar as próprias vontades para realizar, sobretudo a vontade de Deus.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012