sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Vocação, Sim de Amor à Vida


Quando ouvimos a palavra “vocação”, vem logo à nossa mente o chamado para uma vida específica como a religiosa, sacerdotal, matrimonial, etc. Temos tendência a pensar logo na dimensão religiosa. No entanto, a vocação, entendida como chamado de Deus é muito mais ampla e abrange todas as esferas do nosso ser.

Pensemos, então, no chamado à existência. Se existimos é porque o Criador nos convidou a aportar no existir e nos premiou com qualidades humanas que são os traços que carregamos desde a concepção e que vão se desenvolvendo. A vocação primeira é ser pessoa humana. Ora, são as nossas características próprias que nos configuram com seres humanos. Temos um corpo, um cérebro, um psiquismo próprio dos humanos. Por isso, sentimos, pensamos e agimos humanamente. Ninguém escolheu nascer. Ninguém escolheu a própria cor, o lugar de origem, pais, irmãos, língua materna, etc. Tudo isso é dado gratuitamente e vem junto ao chamado à existência. Diante, pois, deste imenso dom da vida humana, cabe a cada um acolher, agradecer e valorizá-lo, desenvolvendo-se e sendo feliz.

Diante de todo chamado é posto a oportunidade de resposta. Dizer sim à vida é a resposta mais natural e legítima de cada ser. Todo homem e toda mulher Carrega no seu interior o potencial para dizer este SIM. Evidentemente cada um foi apoiado pelos pais que o geraram, cuidaram e orientaram. Quanta gratuidade em tudo que envolve a vida do ser humano! Apesar de tudo isso, quando cada um toma consciência do que se é assume a própria responsabilidade de crescer e dar sua resposta original, única e plena de criatividade à vida. Neste momento se procura corresponder às próprias aptidões e tendências, escolhendo no meio deste universo de possibilidades àquelas mais adequadas ao próprio ser. Viver é, pois, a vocação primeira e fundamental. As outras vocações dela decorrem e nela se sustentam. É o amor à vida que possibilita empenhar-se em tantas outras dimensões da existência humana.

Depois, há outras possibilidades de cada um concretizar neste mundo o seu existir. Aí vêm as escolhas mais específicas: viver como cristão, seguindo Jesus Cristo, optando pelo seu ensinamento que humaniza e cria a maravilhosa possibilidade de ser construtor de um mundo justo, fraterno, solidário e pacífico. A vocação cristã é, sem dúvida, gerada na fé e no sonho de protagonizar o evento sublime de edificar a Família de Deus, em Jesus Cristo e no Espírito Santo. A vida cristã é fruto da fé e da opção de viver como Jesus viveu.

No horizonte religioso são muitas as possibilidades de viver a fé. A mais abrangente é a vida batismal destinada a todos os cristãos. Todo batizado é filho de Deus, chamado a viver como Cristo viveu. Aqui o referencial é Jesus Cristo. Todos olham para Ele e procuram compreender o seu ensinamento e confiar no poder de sua Palavra e de sua presença. Jesus Cristo é luz, sabedoria do Pai, Palavra do Pai para todos os seus irmãos. Quem escuta Jesus Cristo e vive de acordo com sua Palavra é de verdade cristão e participante da sua família, que é a Igreja.

Também muitos batizados optam pela vida matrimonial. Este é um dom particular de Deus. O homem e a mulher se unem para constituir família e gerar vidas, participando da criação divina. O matrimônio é uma bênção! Ao dizer isso, penso na família como união dos cônjuges, dos filhos e a alegria que estes proporcionam aos pais, juntamente com tudo que a vida familiar atrai de belo e bonito.

No meio da Família de Deus, muitos são chamados para servir, animar, evangelizar, dando testemunho do amor do Pai. A vocação sacerdotal e religiosa tem esta função específica. Quem se sente chamado a este serviço na Igreja, diz sim e empenha seu viver para atender à demanda do Povo de Deus. Deus mesmo quis se servir de alguns dos seus filhos para organizar sua família, dando-lhe condições de ser caminho de realização e santificação. Os ministros ordenados e consagrados colaboram com o projeto do Pai a fim de que sua família caminhe neste mundo conforme seu plano de amor.

Finalmente, entendemos vocação em ordem ao chamado divino. Que neste mês de agosto, aprofundemos o sentido da vocação humana, cristã, matrimonial e religiosa, tornando-nos servidores do Deus da vida. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012


VOCAÇÃO OU DOM NATURAL?


“Vocação é como um jogo de quebra-cabeça. À medida que a pessoa encontra os pedaços adequados e progressivamente vai formando o quadro, se sente estimulada a prosseguir. Ao concluir a montagem, sente o sabor da vitória alcançada e a gratificação da obra realizada”. Bem. Esta definição comparativa e explicitativa da vocação não é minha. De todo modo pode ser uma boa “chave de compreensão” para quem deseja compreender o que é uma vocação.
O termo ‘vocação’ vem da língua latina, do verbo “vocare”. Vocação se traduz por ‘chamado’. Este termo é usado em diversos sentidos, pois seu significado se abre como as muitas e diferentes palhetas de um belo leque.

Vocação ou dom natural?
Algumas pessoas chamam de ‘vocação’ os dons naturais congênitos dados por Deus às pessoas. Por exemplo: o dom de pintar, de esculpir, de desenhar, de cantar, de composição musical, de tocar instrumento musical, de escrever com arte, de falar com perfeição, de dramaturgia, de algum esporte específico etc. etc. Em última análise, esses dons procedem de Deus Pai, devem ser cultivados e colocados a serviço do bem das comunidades e das pessoas. Pergunta-se: são vocações, são dons naturais especiais, ou são carismas? Talvez a designação não seja muito importante. Significativo é desenvolver este pendor e colocá-lo a serviço do bem comum.
Pessoalmente prefiro chamar de “dons naturais”, congênitos, a essas capacidades especiais e personalizadas, embutidas na própria natureza da pessoa. Em sentido muito amplo, e analisados a partir do doador, Deus Pai, que os concede para que a pessoa os coloque a serviço do bem de todos, poder-se-ia, talvez, chamá-los de “vocação”.
O leitor tem aqui a possibilidade de avançar na reflexão e optar por uma definição mais pessoal.

Vocação e realização
Quando alguém consegue encontrar todas as peças e chega a montar um grande jogo de ‘quebra-cabeça’, tem a grata sensação de vitória alcançada, e de gratificação por ver que aquele amontoado de pecinhas se tornou um belíssimo quadro. Não é exatamente assim que se sente aquele de abraçou sua vocação e a fez uma fonte de bem para seus irmãos?...
Quando alguém caminha em sua vida com o coração aberto para Deus e para o amor dos irmãos, algum dia poderá sentir uma misteriosa voz interior, chamando, chamando, convidando para alguma missão. Quando esse coração der ouvidos à voz que chama, prestar atenção ao convite, der uma resposta positiva e se empenhar para cumprir a missão recebida, encontrará muito mais sentido em seu viver, descobrirá a alegria e a grandeza de poder servir a Deus na pessoa dos irmãos, fará um grande bem a muita gente, será uma bênção para a comunidade e, ele mesmo, perceberá o valor maior de sua vida, feita ‘dom’ para os irmãos.
Vocação é um ‘quebra-cabeça’?... Sim! Mas só até o momento de reconhecer, assumir e realizar a missão confiada por meio da vocação. Depois, ‘vocação é realização’!... “Realização-cumprimento” diário da missão recebida e assumida, e “realização-felicidade” do coração, por cumprir a missão

terça-feira, 28 de agosto de 2012


MÊS VOCACIONAL: A CADA DOMINGO DE AGOSTO CELEBRAMOS UMA VOCAÇÃO ESPECIAL
“Eu sou o pão da vida”  (Jo 6,24-35)
Agosto é é celebrado em todo o país, por feliz iniciativa da CNBB desde muitos anos, como o mês escolhido para refletir sobre as mais variadas vocações de cada batizado. A palavra é originada do verbo latim “vocare”, que significa chamar. O mês vocacional tem sua origem logo após o Concílio Vaticano II. Com o objetivo de despertar a consciência das comunidades para a responsabilidade, num período de crise das vocações, Dom Aloísio Lorscheider, então bispo de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, instituiu uma comissão para criar um diretório vocacional para a diocese. Em 1970 surgia a primeira experiência do mês vocacional no Brasil. Esta iniciativa deu certo e, em 1981, a Assembléia Geral da CNBB instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil. Assim, vocação é um convite divino para o amor de DEUS, que ensina a sabedoria do bem viver. Todos têm uma missão, uma vocação para fazer da vida um hino de louvor à Santíssima Trindade. Somos chamados a amar o Pai acima de tudo e a acolher o outro sem distinção, num esforço contínuo na busca da santidade e no desejo de se tornar gradativamente uma pessoa iluminada, abençoada e redimida. Faz-se necessário recordar, ainda, o seguinte: o mês vocacional foi instituído para dinamizar o trabalho em favor das vocações.
Jesus sabia que o povo estava atrás dele por causa do milagre dos pães. Sabia também que queriam fazê-Lo rei, mais o seu reino não é deste mundo, e o que Ele lhes propõe é que trabalhem pelo alimento que permanece para a vida eterna. Este trabalho é a obra de Deus, a evangelização que Jesus realiza e que nós devemos continuar, para isso Jesus nos deixa seus discípulos que são, nos dias de hoje, os seus consagrados, de modo especial, os sacerdotes. Ouvir este chamado e escutar a voz de Deus consistem em fazer a vontade do Pai, dar vida para salvar este mundo do pecado para que todos, de preferência, mereçam um dia a vida eterna. O que nós precisamos fazer, segundo a explicação de Jesus hoje, é buscar o verdadeiro pão caído do céu que é Jesus, aquele que se fez alimento para a nossa salvação e que nos foi  dado pelo Pai, porque esse é o alimento que permanece para a vida eterna, e que nos guarda para a vida eterna. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna” “Quem come a minha carne viverá em mim e eu nele”.
No próximo dia 04 é o dia do Padre. A motivação é a festa de S. João Maria Batista Vianney, lembrada no dia 04 de agosto, padroeiro dos sacerdotes. Dentro da Dinâmica do mês vocacional, este dia dedicado ao padre se celebra no primeiro domingo do mês vocacional. A vocação aqui recordada é a do padre diocesano e de todos os consagrados pelo ministério ordenado. A gente não tem dúvida, somente uma pessoa que tem Deus ao seu lado é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai pode fazer.
Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos guiar no caminho da salvação
Ser padre não é uma tarefa fácil! Deixar tudo e entregar-se completamente nas mãos do Senhor pede vocação, força e fé. Muita fé. E é com esta fé e motivação, que celebramos solenemente neste dia 04 de agosto, em Mariana, na Catedral da Sé, os vários jubileus de nossos padres durante este ano.
O padre é um ser humano sujeito a tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos. É claro que, em alguns casos, nem sempre os limites humanos são superados, mas a graça divina e a oração constante são a melhor ajuda para os momentos de dificuldade.
Este dia deve ser repleto de agradecimentos e louvor pelo padre que temos. Deve ser o dia de um abraço caloroso e fraternal, de um ‘muito obrigado’ sincero e de festa. Ter um padre em nossas comunidades é uma benção de Deus e isto precisa ser celebrado com muito amor e alegria. Felicidades a todos os padres em nossa Igreja e, e de modo especial, a todos os dedicados sacerdotes de nossa Arquidiocese. Que Deus sempre os abençoe e guarde, hoje e sempre!
“Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus”.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012


Vocação: Dom de Deus


“Não foste vós que me escolheste, mas fui eu quem vos escolhi.” Com estas palavras Cristo nos mostra o que é a vocação: dom, serviço e renúncia. A vocação nasce do coração de Deus Filho e implantada em nossos corações pelo Deus Espírito Santo.
O chamado de Deus ocorre de maneira espontânea e às vezes despercebida, na simplicidade. Temos a visão de um Deus que chama de maneira inusitada, estrondosa, mas ele usa de instrumentos simples para manifestar o seu chamado, seja no abraço de um amigo, no sorriso de uma criança. O Deus simples nos encanta e conquista.
O coração do vocacionado deve estar centrado, ligado ao coração do Mestre, coração que acolhe e gera vida. Vivendo o chamado somos chamados a discernir os projetos de Deus para nossa vida. Dizendo SIM ao sacerdócio, ao matrimônio, á vida religiosa ou à vida laical, vocações específicas que são seladas como o amor do coração de Jesus.
Vivenciando a vocação, nos comprometemos com o outro, tornamos responsáveis pela vida do irmão. O mundo secularizado necessita de homens e mulheres que se doam em favor do Reino e da expansão do Evangelho. Doação implica entrega, e deixar-se levar pelo amor de Deus, sendo disponíveis, praticando o amor e a igualdade.
Vocação é dádiva de Deus, e requer de nós atenção e comprometimento, pois engloba nossa vida, nossa existência. O vocacionado nunca deve viver só para si, mais entregar-se em prol dos irmãos.
Vocação se faz caminhando e ouvindo a voz do Mestre que diz: “VEM E SEGUE-ME!”

domingo, 26 de agosto de 2012

sábado, 25 de agosto de 2012

“Seguiu Jesus pelo caminho” (Mc. 10, 52)PDFImprimirE-mail

A passagem bíblica da cura do cego Bartimeu (Mc 10, 46-52), é de uma riqueza espiritual tamanha que muito nos auxilia na compreensão de nosso chamado vocacional.

Ela é na verdade um instigante convite ao seguimento de Cristo. O fervoroso convite: “Coragem! Levanta-te, Ele te chama” (v. 49) é o ponto central deste chamamento feito a cada um de nós. Este foi o tema do primeiro congresso vocacional realizado no Brasil, no ano 1999, onde se ressaltou a necessidade de se colocar no caminho com Cristo, anbandonando os “mantos” (v. 50) que nos acomodam e dar um pulo em direção à Jesus.
Devemos cada dia mais, ressaltar que o chamado de Deus em nossa vida independe de nossa atual situação e condição de miséria. Muitas vezes estamos “a beira do caminho” (v. 46), como se encontrava o cego antes de se encontrar com Cristo. E mesmo assim Cristo surge em nossa história nos retirando destas amarras, nos devolvendo a nossa dignidade, nos revestindo de coragem, para segui-lo no seu caminho. Contudo, nós que já estamos no seu caminho, precisamos nos recolocar no caminho de Cristo, pois muitas vezes vamos nos abeirando do caminho, ficando excluídos da comunhão com este Cristo que nos chamou.
É interessante perceber que este caminho indicado no final da passagem é apenas o início de um intinerário onde o seu fim e objetivo é a cruz e a paixão. O seguimento de Cristo exige de nós um discipulado que seja capaz de superar as dificuldades e obstáculos. Devemos seguir Jesus rumo à Jerusalém, ou seja segui-lo incondicionalmente.
Quando Marcos apresenta o cego Bartimeu como o modelo de seguidor de Cristo, deve-se muito a este dado do seguimento do Cristo, porém, do Cristo que se imolará em Jerusalém, onde acontecerá a plenitude de seu reinado na cruz.
Hoje, muito se precisa ressaltar este elemento fundamental do seguimento à Cristo: a sua cruz e paixão. Pois, corre-se o risco de buscarmos um seguimento de Cristo como algo puramente prazeroso e que vai me satisfazer humanamente, contudo, o seguir a Cristo é a exemplo de Bartimeu, deixar nos interpelar pela sua presença em nossa história, clamar sua compaixão sobre nossas misérias, deixar os muitos mantos que nos aprisionam e segui-lo decididamente rumo à Jerusalém, e lá estar disposto a nos configurarmos à Ele.
Eis o modelo do vocacionado autentico! Que não busca seus interesses e que coloca o seguimento e discipulado acima de toda qualquer realidade, por mais difícil que seja. Enfim, a “Cura do Bartimeu” nos ajuda na melhor compreensão de como devemos seguir alegremente Jesus pelo caminho, dando testemunho da nossa fé naquele que nos retirou “da beira” e nos concedeu a dignidade de nos assemelharmos à Ele.